- Ministros do G7 se reúnem em Paris (23 e 24 de abril de 2026) para tratar meio ambiente, com foco em biodiversidade, oceanos e desertificação.
- A pauta evita temas diretos de mudanças climáticas para não desagradar os Estados Unidos, que lideram a presidência do país.
- A França, anfitriã, busca manter a unidade do grupo e prioriza temas considerados menos controversos.
- Mesmo assim, há anúncio de financiamento da natureza, com até US$ 800 milhões para preservação de parques nacionais em cerca de vinte países africanos.
- Um acordo sobre desertificação e segurança, bem como uma aliança de áreas marinhas protegidas, também estão entre os objetivos, com debates programados antes da cúpula de junho em Évian.
Os ministros do G7 se reuniram em Paris nesta quinta e sexta-feira (23 e 24) para uma conferência dedicada ao meio ambiente, com foco em biodiversidade, oceanos e desertificação. O objetivo é manter a coesão entre as sete maiores economias, além de parceiros, sem priorizar mudanças climáticas. O encontro é realizado sob a presidência de Donald Trump, que gerou cautela entre os participantes.
A anfitriã é a ministra francesa da Transição Ecológica, Monique Barbut. Representantes do Japão, Reino Unido e Alemanha participam, entre outros. Ao todo, o encontro busca manter a unidade do G7 diante de temas considerados menos controversos, com atenção a desertificação, biodiversidade e gestão de recursos hídricos.
Barbut abriu a sessão reconhecendo que a proteção ambiental não é mais a prioridade internacional exclusiva. A agenda inclui cinco eixos: financiamento da biodiversidade, preservação dos oceanos, recursos hídricos, relação entre desertificação e segurança e resiliência de territórios e infraestruturas.
A pauta climática permanece fora do centro do debate, assim como a eliminação gradual de combustíveis fósseis. Enquanto Paris recebe a reunião, a discussão sobre clima ficará para uma cúpula em Santa Marta, na Colômbia, entre 24 e 29 de abril, envolvendo cerca de 50 países.
Segundo a análise de organizações, o G7 corre o risco de facilitar ações com foco energético de curto prazo se não incluir mudanças climáticas de forma mais ampla. Críticos argumentam que o equilíbrio entre temas ambientais e interesses econômicos pode influenciar resultados.
Financiamento da natureza
A França busca mobilizar apoio através da Aliança para o Financiamento da Natureza e dos Povos, oferecendo recursos para conservação. A perspectiva é anunciar até US$ 800 milhões (aproximadamente R$ 4 bilhões) para parques nacionais em cerca de 20 países africanos.
Fontes próximas ao governo destacam que o montante deve ser adicional à cooperação existente, para evitar desengajamento por parte de autoridades nacionais. A iniciativa recebeu apoio de organizações ambientais, que ressaltam a importância de complementaridade com outros planos.
Outros pontos previstos incluem uma declaração política sobre desertificação e segurança, além de sessões sobre oceanos com o objetivo de criar uma aliança de áreas marinhas protegidas. A programação também aborda impactos de desastres naturais e do setor imobiliário na poluição da água.
A agenda prevê, ainda, uma visita à Floresta de Fontainebleau, próxima a Paris, com foco na preservação florestal. A reunião em Paris prepara o terreno para a conferência de líderes do G7 prevista para junho, em Évian, na França.
Com AFP
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