- Mais de 30 milhões de pessoas devem voltar à pobreza por impactos da guerra no Irã, segundo o chefe de desenvolvimento da ONU.
- A escassez de fertilizantes, agravada pelo bloqueio de navios no Estreito de Ormuz, já reduziu a produtividade agrícola e deve afetar a produção neste ano.
- A insegurança alimentar tende a piorar com o aumento dos preços de alimentos e com o peso sobre remessas, conforme alertam o Banco Mundial, FMI e o Programa Mundial de Alimentos.
- Mesmo que a guerra acabe amanhã, efeitos já presentes podem persistir, com estimativa de queda global do PIB entre 0,5% e 0,8%.
- A crise humanitária se agrava, pressionando a assistência em locais como Sudão, Gaza e Ucrânia, em meio a financiamento menor e necessidades maiores.
Mais de 30 milhões de pessoas devem retornar à pobreza devido aos impactos da guerra no Irã, informou nesta quinta-feira Alexander De Croo, chefe de desenvolvimento da ONU. A previsão considera interrupções no fornecimento de combustível e fertilizantes, além de efeitos indiretos na economia global.
De Croo, ex-primeiro-ministro da Bélgica, afirmou à Reuters que a escassez de fertilizantes foi agravada pelo bloqueio de navios no Estreito de Ormuz. Ele disse que a produtividade agrícola já caiu e o cenário deve piorar ao longo do ano.
A crise é marcada pela dependência de fertilizantes produzidos majoritariamente no Oriente Médio e pela passagem de um terço do abastecimento global pelo Estreito de Ormuz, área de disputa entre Irã e EUA. Isso eleva preços globais de alimentos, segundo bancos multilaterais.
Segundo o administrador do PNUD, os efeitos indiretos da guerra já tiraram entre 0,5% e 0,8% do PIB mundial. Mesmo que o conflito acabasse amanhã, os impactos permaneceriam por semanas, afirmou De Croo.
A situação agrava o esforço humanitário, com financiamento reduzido e necessidades crescentes em regiões já vulneráveis, como Sudão, Gaza e Ucrânia. O orçamento disponível não acompanha a escalada da demanda por ajuda.
“Teremos que dizer a certas pessoas: sinto muito, mas não podemos ajudá-las”, afirmou De Croo, destacando que muitos perderiam assistência vital e cairiam em maior vulnerabilidade.
Entre na conversa da comunidade