- O Itamaraty é apresentado como instrumento do Estado para projetar interesses estratégicos, não apenas um clube de amizades ou espaço cultural.
- A reportagem afirma que, hoje, o Brasil teria transformado a chancelaria em uma corporação com vida própria, afastada da entrega prática da política externa.
- O modelo de carreira baseado no rank-in-person (promoção por posto) seria a raiz de problemas de responsabilidade, avaliação e eficiência na diplomacia brasileira.
- Ressalta-se que, sob gestões recentes, o eixo Sul Global e a mediação sobre a guerra na Ucrânia teriam reforçado a distância entre discurso e influência efetiva do Brasil.
- Propõe-se reformar o Serviço Exterior Brasileiro a partir de 2027, substituindo rank-in-person por rank-in-position, com progressão baseada em desempenho externo e alinhamento da diplomacia aos interesses nacionais, como defesa do território, cadeias globais de valor e exportações de alto valor.
O Itamaraty, segundo o texto, é apresentado como a chanceleria do Estado brasileiro, instrumento de projeção de interesses nacionais. O artigo argumenta que, historicamente, a função da chancelaria foi orientar a política externa por objetivos estratégicos, não por vínculos pessoais.
Defende que, ao longo dos anos, o Itamaraty passou a funcionar como uma corporação com vida própria. Segundo a análise, o corpo funcional teria tomado o instrumento estatal como propriedade, reduzindo a capacidade de o Estado direcionar a política externa de maneira coordenada.
Para sustentar a crítica, o texto cita a noção de *rank-in-person* herdada da diplomacia de elite do século XIX, sob a qual cargos avançam por posto e não por função. Alega que esse modelo enfraquece a responsabilidade e a avaliação independente de desempenho.
O artigo compara o Brasil com potências como EUA, Reino Unido e França, que adotam modelos com avaliação de desempenho, ciclos formais de promoção e responsabilização por resultados. Segundo a referência, essas pautas não são comuns na prática brasileira.
Entre 2023 e 2025, o texto afirma que o Brasil teria priorizado uma proposta de sistema monetário alternativo ao dólar, enquanto outros países consolidavam cooperações tecnológicas e de defesa. O alcance prático dessa atuação seria considerado insuficiente na hora de influenciar decisões estratégicas.
O episódio de mediação da guerra na Ucrânia é descrito como exemplo de tentativa brasileira que, segundo o artigo, não teve efeito prático frente aos participantes do conflito, refletindo inflação retórica sem ganho de influência real.
Mudança de tema: Reforma do Serviço Exterior
O texto afirma que a carreira diplomática brasileira não está alinhada aos resultados desejados, apontando que a diplomacia presidencial tem ocupando espaço devido à lentidão de reformas técnicas no Itamaraty. Defende que a reforma deveria priorizar desempenho verificável e avaliação externa, conectando a atuação diplomática aos interesses nacionais.
A proposta central, segundo o conteúdo, é substituir o *rank-in-person* por um sistema de *rank-in-position*, com progressão baseada no desempenho e em avaliações independentes. O objetivo seria fortalecer áreas como defesa de território, acesso a mercados, proteção de ativos estratégicos e liberdades em foros multilaterais.
Contexto institucional
O artigo observa que o Brasil mantém um dos maiores corpos diplomáticos permanentes, com críticas à inaplicação de mecanismos de avaliação. A menção é de que o Curso de Altos Estudos, necessário para ascensão, não garante efeito prático na formulação de política externa.
Alega ainda que a atuação externa seja, em alguns momentos, deslocada do Itamaraty para o Planalto, com a diplomacia presidencial dominando a agenda externa sem entregar resultados proporcionais aos custos envolvidos.
Caminho para 2027
A janela para reforma seria aberta em janeiro de 2027, segundo o texto, oferecendo a chance de reformar o serviço sem enfrentá-lo como adversário, tratando a mudança como uma necessidade de retorno aos fundamentos da diplomacia brasileira.
O autor conclui que a chanceleria existe para servir ao Estado, não para servir a interesses internos de um grupo, e que reformar o Itamaraty sem perder sua função essencial é essencial para um alinhamento com as prioridades nacionais.
Marcos Degaut, autor do texto, é doutor em Segurança Internacional e pesquisador sênior nos Estados Unidos, com histórico ligado ao governo brasileiro. A publicação cita sua experiência de atuação no Ministério da Defesa e em políticas estratégicas.
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