- Em estudo liderado pela Aga Khan University, no Paquistão, soluções de resfriamento de baixo custo reduziram as temperaturas internas em três a quatro graus Celsius.
- Ar-condicionado e até ventiladores nem sempre estão disponíveis devido ao suprimento irregular de energia.
- Karachi pode chegar a quarenta graus Celsius, com sensação térmica perto de cinquenta graus, e as ondas de calor estão se tornando mais prováveis por causa das mudanças climáticas.
- Estruturas com lonas e pau de bambu criam espaços que respeitam o purdah, permitindo que mulheres de famílias conservadoras fiquem ao ar livre com privacidade.
- Pacotes de cuidado, como roupas de algodão, borrifadores, sais de reidratação, panos úmidos e ventarolas, são distribuídos para combater o calor; estudo de 2026 aponta que de 9% a 13% dos casos de baixo peso ao nascer estão ligados ao calor, e a taxa de mortalidade neonatal do Paquistão supera a de Índia e Bangladesh.
Uma experiência recente conduzida pela Aga Khan University em parceria com pesquisadores internacionais mostrou que soluções de baixo custo podem oferecer alívio real para mulheres grávidas e recém-nascidos em áreas de alta temperatura no Paquistão. Canhões de lona, leques manuais, panos úmidos e tinta refletiva foram avaliados em comunidades de baixa renda, reduzindo a temperatura interna em cerca de 3 a 4 °C frente ao ambiente sem intervenção.
O estudo destacou que o uso de ar-condicionado e até mesmo ventiladores nem sempre é viável devido à instabilidade no fornecimento de energia. Pesquisadores indicam que intervenções simples, sem dependência imediata de eletricidade, podem ter impacto direto na saúde materno-infantil durante ondas de calor.
O texto acompanha observações de especialistas que ressaltam a limitação de soluções que dependem de internet, eletrodomésticos ou chuveiros com água constante. Em Karachi, a cidade mais populosa do país, as altas temperaturas podem alcançar 40 °C com sensação térmica próximo de 50 °C no verão, elevando riscos para gestantes.
Elementos culturais também influenciam a adoção de medidas de resfriamento. Estruturas de lona e bambu criam espaços que respeitam o purdah, prática de véu facial em frente a homens não relacionados. Em Lyari, área densamente habitada, mulheres encontram barreiras sociais para buscar refrigeração ao ar livre.
Atenção médica local aponta impactos crescentes. Uma parte das pacientes atendidas por uma parteira em Karachi relata complicações relacionadas ao calor, incluindo hipertensão e problemas respiratórios em recém-nascidos. Há relatos de perdas na segunda metade da gestação associadas ao calor.
Dados de 2026 indicam que entre 9% e 13% dos casos de baixo peso ao nascer podem estar ligados à exposição ao calor, ampliando a compreensão dos riscos para o desenvolvimento fetal ao longo do país.
Entre as ações propostas, organizações locais distribuem kits de cuidado com roupas leves de algodão, garrafas de spray, sais de reidratação, panos úmidos e leques manuais para reduzir a carga de calor. Tais itens visam oferecer alívio rápido em residências sem infraestrutura adequada.
A taxa de mortalidade neonatal em Pakistan supera a de países vizinhos, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, especialmente em áreas urbanas de alta densidade e vulnerabilidade econômica. A pesquisa em curso busca consolidar evidências para políticas públicas mais eficazes.
Fontes do estudo destacam a necessidade de combinar soluções de baixo custo com estratégias de saúde materno-infantil, incluindo vigilância de condições associadas ao calor, educação comunitária e melhoria do acesso a serviços básicos.
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