- Em fevereiro, Chile, Brasil e México lançaram a candidatura de Michelle Bachelet para a liderança da Organização das Nações Unidas (ONU).
- O caminho enfrenta obstáculos, incluindo a retirada do apoio pelo governo atual do Chile e resistência de potências como Estados Unidos e China.
- Os EUA veem Bachelet de forma crítica, associando-a a posições consideradas “esquerdistas” e ao tema do aborto; a China é especialmente crítica pela divulgação de relatório sobre a minoria uigur.
- Mesmo com apoio de Brasil e México, a candidatura enfrenta resistência no Conselho de Segurança, tornando improvável a aprovação pela maioria de cinco membros permanentes.
- O cenário internacional, já marcado por crises na ONU, coloca a possibilidade de uma mulher ocupar o cargo sob grande incerteza, com Rafael Grossi (Argentina) apontado como possível favorito pela imprensa.
Michelle Bachelet enfrenta obstáculos formidáveis para disputar a chefia da ONU. A candidatura foi anunciada no Chile, Brasil e México, em 2 de fevereiro, com foco em uma liderança feminina para o organismo. A escolha é feita por membros do Conselho Executivo da ONU, em um processo que envolve negociação entre regiões.
A ex-altíssima comissária de Direitos Humanos tem histórico relevante, incluindo dois mandatos como presidente do Chile, atuação como ministra da Defesa e liderança da ONU Mulheres. No entanto, o peso político global envolve resistência de grandes potências e disputas internas.
O apoio inicial de governos latino-americanos foi sinalizado, mas o cenário mudou após as eleições chilenas. O presidente eleito no Chile retirou o endosso à candidatura de Bachelet, citando compromissos herdados e que não poderiam ser mantidos no fim de mandato.
Obstáculos na chancela
Diante dessa retirada de apoio, Bachelet precisa obter aprovação das cinco potências do Conselho de Segurança. A oposição dos EUA é destacada por aliados como um entrave significativo, relacionada a posicionamentos sobre aborto e direitos reprodutivos.
A China também é vista como entrave, por críticas ao relatório sobre a situação dos uigures publicado no último dia de mandato de Bachelet. Esse relatório é usado por Pequim para justificar resistência à nomeação.
Ainda assim, o cenário aponta Rafael Grossi, chefe da AIEA, como candidato com potencial para liderar a ONU, dada a relevância de temas de segurança global no momento. A disputa envolve múltiplas agendas estratégicas entre blocos.
Como fica o quadro internacional
A candidatura de Bachelet já enfrenta um pedido de veto por parte de setores conservadores nos EUA. No Brasil e no México, governos aliados mantêm apoio, adotando posição regional contra a maioria de decisões de Washington em temas de direitos humanos.
Em termos simbólicos, disputar o cargo sem apoio do próprio país impõe peso extra, exigindo alianças amplas na ONU. O processo de escolha da nova secretária-geral envolve negociações complexas entre Estados-membros e questões de consenso.
Não há conclusão prévia sobre o desfecho. O cenário internacional atual privilegia nomes com experiência em segurança, negociação e relações internacionais, em meio a tensões entre potências e debates sobre direitos humanos.
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