- Marcos Campinha Panissa, condenado por homicídio no Brasil, viveu no Paraguai sob identidade falsa como José Carlos Vieira há décadas.
- O crime ocorreu em agosto de 1989, quando ele matou a ex-mulher Fernanda Estruzani com 72 facadas em Londrina; na época não existia o crime de feminicídio.
- Ele foi considerado foragido a partir de 1995 e, após julgamentos sucessivos, acabou condenado à revelia em 2008 a 19 anos de prisão, sem cumprir a pena até ser preso.
- A prisão aconteceu na última semana, em San Lorenzo, após monitoramento da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai; o indivíduo foi entregue à Polícia Federal brasileira.
- A operação foi resultado de cooperação entre a Polícia Federal, o Ministério Público do Paraná e a Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai, com foco em localizar o foragido e encerrar o caso.
Marcos Campinha Panissa, condenado no Brasil por homicídio, foi preso no Paraguai após viver anos com identidade falsa. Ele morava em San Lorenzo sob o nome de Jose Carlos Vieira, criando uma vida estável ao lado de esposa e filha paraguaias.
A detenção ocorreu na manhã de 15 de abril, quando agentes da Senad o abordaram ao sair de um estabelecimento. Segundo Jalil Rachid, ministro da Senad, o suspeito ficou surpreso ao ouvir seu nome verdadeiro.
Panissa havia sido condenado pela morte de Fernanda Estruzani, em Londrina, Paraná, em 1989, com 72 golpes de faca. O crime ocorreu após um período de conflito no relacionamento do casal.
Na época, Fernanda tinha 21 anos. Marcos, então com 23, invadiu o apartamento e cometeu o homicídio, em circunstâncias que geraram grande comoção em Londrina. O caso não era classificado como feminicídio na época.
Panissa foi a julgamento várias vezes entre 1991 e 1995, com um terceiro júri já marcado, mas ele não compareceu. A pena foi ajustada ao longo dos recursos e, em 2008, ele foi condenado à revelia a 19 anos de prisão.
Investigadores brasileiros suspeitaram de sua localização por décadas, e a descoberta no Paraguai ocorreu após cooperação entre PF, Ministério Público do Paraná e Senad. Dados cruzados indicaram o nome falso dele.
No Paraguai, ele construiu uma vida discreta: abriu uma ferragem e materiais agrícolas em Concepción, tinha uma casa em Assunção e recebia visitas da filha. As autoridades paraguaias acreditam que a família não sabia do passado dele.
A operação foi batizada de Memento Mei, com objetivo de localizar o foragido. Após rastreio, Panissa foi encontrado em San Lorenzo e detido na rua, já com mandado de prisão ativo na Interpol.
Ao ser cumprido o mandado, Panissa foi entregue à Polícia Federal brasileira na Ponte da Amizade, para regularizar a expulsão do país por questões migratórias. A prisão representa o desfecho de uma busca de décadas.
O Ministério Público do Paraná afirma que a prisão demonstra que o sistema de Justiça não esquece as vítimas. O advogado de defesa disse que apresentará recurso para revisar a pena para nove anos, conforme decisão de 1992.
Entre na conversa da comunidade