- A Lituânia aparece no Relatório Mundial de Felicidade como o país com jovens mais felizes, devido à educação gratuita, ausência da dívida estudantil e salários iniciais competitivos, além de um ecossistema de IA em rápido crescimento.
- Com 2,8 milhões de habitantes, o país se tornou um hub de inteligência artificial na Europa, abrigando empresas como Hostinger e NordVPN e invertendo o brain drain com centros de desenvolvimento e formação local.
- O CEO da Hostinger, Daugirdas Jankus, sustenta que IA só vale a pena quando resolve problemas reais; a empresa já usa um agente de IA para gerenciar VPS, executando centenas de ações autonomamente.
- O CTO da NordVPN, Marijus Briedis, destaca a importância de tornar documentos legíveis para IA e salienta uma arquitetura de três camadas de segurança, com casos em que a empresa mantém modelos localmente.
- O professor Tomas Krilavičius afirma que a Lituânia não apenas atraiu talentos, como os prepara para pensar globalmente; para o Brasil, ele aconselha investir em educação, cooperação entre indústria e academia e visão internacional.
Vilnius, Lituânia, enfrentou -20°C entre neve e silêncio. Mesmo assim, a capital abriga um ecossistema de tecnologia em rápido crescimento, com foco pragmático e ambição global. O relato destaca o que torna os jovens lituanenses considerados os mais felizes pelo Relatório Mundial de Felicidade.
O país abriga 2,8 milhões de habitantes, com educação gratuita de qualidade e mercado de trabalho que valoriza jovens talentos. O ecossistema tecnológico produz unicórnios locais e abre caminhos para atuação mundial desde o início da carreira.
IA como prioridade prática
Daugirdas Jankus, CEO da Hostinger, aponta que a tecnologia deve servir a uma solução real de clientes. A abordagem é começar com iniciativas de IA na operação, financiando projetos com recursos próprios para medir valor e impacto.
A Hostinger já desenvolveu um agente de IA para seus VPS, capaz de executar centenas de ações autônomas, desde reinicializações até diagnósticos de memória. O aprendizado vem ao colocar a IA em prática, não apenas no discurso.
Desafios de preparação de dados
Marijus Briedis, CTO da NordVPN, destaca a necessidade de tornar documentos úteis para IA. Transformar SOPs e materiais internos em formatos compreensíveis para modelos de linguagem é essencial, ainda que trabalhoso.
Briedis descreve uma arquitetura de três camadas para dados: aplicação, trânsito e modelo, com remoção de dados pessoais antes de chegar a grandes provedores de IA. Em casos sensíveis, a empresa roda modelos localmente.
Segurança e competição
O executivo admite que a IA de ataque costuma superar a de defesa em fases iniciais, revelando um cenário de jogo de gato e rato entre máquinas. Ainda assim, humanos mantêm controle decisivo sobre desligamento e resposta.
A conversa evidencia o enfoque brasileiro e europeu sobre IA: a necessidade de manter o controle humano e monitorar a evolução de capacidades técnicas. A prioridade é usar IA para ampliar segurança e eficiência.
Educação e futuro do trabalho
Greta Ilekytė, economista do Swedbank Lituânia e professora, observa mudança de métodos de avaliação com IA. Provas presenciais ganham relevância para medir indicadores macroeconômicos, sinalizando demanda por habilidades humanas.
Ela ressalta a importância de turmas menores e mais professores, além de reconhecer que profissões ligadas a cuidados humanos devem ganhar destaque na era da IA. A visão é de Brasil e Lituânia, com foco em qualificação.
Brasil x Lituânia: lições
Krilavičius, decano da Vytautas Magnus University, descreve o ecossistema lituano como resultado de cooperação entre academia, indústria e governo. O país atrai talentos, investe em educação e busca coordenação nacional em IA.
O conselheiro destaca que o Brasil pode acelerar a educação e incentivar a cooperação entre setores. O objetivo é tornar o país globalmente competitivo desde o início.
Conclusão prática
A trajetória lituana mostra que planejamento, talento local e aplicação prática de IA geram resultados globais. A recomendação aos líderes brasileiros é agir, testar e ajustar rapidamente, aceitando erros iniciais para chegar ao acerto.
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