- O secretário da Marinha dos Estados Unidos, John Phelan, foi demitido em meio a disputas internas sobre construção naval, não relacionada ao bloqueio naval no estreito de Hormuz.
- Fontes dizem que a demissão teve como fatores relacionamento ruim com Pete Hegseth, com o secretário adjunto de defesa Steve Feinberg e com Hung Cao, além de críticas à lentidão nas reformas de construção de navios.
- A administração apontava que Phelan moveu-se lentamente para implementar as reformas de construção naval que Trump desejava e havia uma investigação ética em andamento no gabinete da Marinha.
- Feinberg teria buscado concentrar a autoridade sobre grandes programas de construção naval, enfraquecendo Phelan, e Cao foi nomeado como interino à frente da Marinha.
- O recuo de Phelan integra uma série de saídas no alto escalão do governo desde o início do confronto com o Irã; o Irã chamou o bloqueio de “ato de guerra”, enquanto Washington classifica a ação como eficaz.
John Phelan foi afastado do cargo de secretário da Marinha dos EUA em uma decisão anunciada pelo Pentágono nesta quarta-feira. O motivo indicado envolve disputas internas sobre construção naval, não a atual operação no estreito de Hormuz. Phelan era investidor privado na Flórida e doador de campanha de Donald Trump.
Segundo fontes ouvidas pelo Guardian, o atrito envolvia relações com o então subsecretário de Defesa Pete Hegseth e com o secretário adjunto Steve Feinberg, além de tensões com o deputado Hung Cao, segundo apuração inicial. Também pesaram relatos de uma investigação ética em curso no escritório da Marinha.
A imprensa aponta ainda que Feinberg buscava centralizar a gestão de construção naval e aquisições, reduzindo a autonomia de Phelan sobre grandes programas. Uma fonte citada pelo New York Times confirmou essa centralização de autoridade.
Pelo menos desde outubro, o cenário já sinalizava mudanças. Naquela época, Hegseth demitiu o chefe de gabinete de Phelan, Jon Harrison, abrindo caminho para Cao, agora em posição de interino. Cao é ex-oficial da Marinha e concorrente de Tim Kaine em 2024.
O afastamento ocorre em meio a uma sequência de mudanças no governo durante o conflito com o Irã. Além de Phelan, já deixaram cargos secretários de gabinete nos últimos meses Kristi Noem, Pam Bondi e Lori Chavez-DeRemer. Gestores de outras áreas também estariam em risco, segundo relatos.
Do outro lado, o Irã chamou o bloqueio naval dos EUA de violação de direitos e de ato de guerra. O White House classificou a apreensão de navios mercantes como pirataria, mantendo a avaliação de que o bloqueio continua eficaz. Hormuz é ponto estratégico, ligando o Golfo Persa a rotas globais.
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