- Jornalistas credenciados na Casa Rosada foram proibidos de se aproximar da porta na quinta-feira, após a veiculação de imagens com óculos inteligentes pela TV, sob a alegação de risco à segurança nacional.
- A Adepa afirmou que a medida não tem precedentes na vida democrática e que o acesso dos jornalistas é essencial para informar a sociedade sobre atos de governo; FOPEA reiterou que a decisão afeta o direito à informação.
- Aedba e Sipreba destacaram um clima de hostilidade e tentativas de silenciar a imprensa, apontando que dissenso e críticas devem ser recebidos com tolerância institucional.
- A Casa Militar justificou a expulsão citando a Resolução 1319 de 2025, adotada pelo governo, embora o texto diga que a punição por retirada de credenciamento ocorre apenas em caso de reincidência.
- No dia anterior, jornalistas barrados publicaram uma carta denunciando a medida como avanço contra a liberdade de imprensa; a deputada Marcela Pagano acionou a Justiça por abuso de autoridade; Milei tem atacado rotineiramente veículos e jornalistas.
Nesta quinta-feira (23), 60 jornalistas credenciados na sala de imprensa da Casa Rosada não puderam se aproximar da entrada e foram impedidos de cruzar a grade que separa o governo da Praça de Maio. A proibição ocorreu após a veiculação, pelo TN, de imagens com óculos inteligentes feitas nos corredores da sede presidencial. O governo classifica as filmagens como ameaça à segurança nacional.
A entidade Adepa aponta que a medida não tem precedentes na vida democrática argentina e afirma que o acesso à imprensa é essencial para o direito da sociedade à informação. O Fopea concorda e diz que o ato limita o direito de cidadania de conhecer os atos de governo. As duas organizações destacam o papel fundamental da imprensa para a democracia.
A Aedba reforça que o episódio não é isolado e descreve um clima de hostilidade contra jornalistas. Apera e Sipreba também criticam a decisão, cobrando respeitos à liberdade de imprensa e ao acesso à informação. Em nota, Milei tem sido alvo de ataques diários desde o início do mandato.
Controvérsia jurídica e administrativa
As autoridades da Casa Militar justificaram a expulsão citando uma suposta intromissão exibida de forma temerária em TV e redes sociais, com base na Resolução 1319 de 2025. O texto, porém, prevê suspensão apenas em casos de reincidência após advertências.
Duas ou mais faltas graves às normas de acesso poderiam justificar a não renovação do credenciamento, segundo o anexo da resolução. Ainda assim, a decisão atual atingiu todos os jornalistas presentes, não apenas o suspeito de irregularidade.
Na prática, a sala de imprensa foi fechada temporariamente, e o registro digital de acesso foi anulado por tempo indeterminado. A medida gerou protestos entre as organizações de imprensa e jornalistas credenciados.
Marcela Pagano, deputada e jornalista, apresentou denúncia na Justiça contra o presidente por abuso de autoridade, em meio a discussões sobre o tratamento da imprensa. A denúncia reforça a percepção de conflito entre governo e veículos de comunicação.
Contexto e desdobramentos
Desde seu início de mandato, Milei tem adotado um tom crítico com relação à imprensa e, segundo as entidades, tem feito ataques diários a profissionais de diversas mídias. Neste episódio, o governo sustenta que a decisão visa a segurança interna.
O episódio envolveu ainda o secretário de Comunicação e Meios, que afirmou ter suspendido o registro de acesso por motivos de segurança nacional. Em redes sociais, Milei mencionou a expressão polêmica associada aos jornalistas credenciados.
Segundo relatos, a polêmica envolve a divulgação de imagens sem consentimento dos corredores da Casa Rosada, o que levou a autoridades de segurança a apresentarem denúncia contra o jornalista envolvido e o canal TN. As imagens exibidas mostraram áreas de circulação do palácio presidencial.
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