- O Coupang informou que vazou dados de 33,7 milhões de usuários após a identificação de uma chave interna de segurança obtida por um ex-funcionário.
- Em resposta, a polícia fez operação no quartel-general em Seul, houve auditoria especial da receita e a Assembleia convocou executivos; Bom Kim não compareceu aos depoimentos.
- Washington sinalizou que não manteria consultas diplomáticas e de defesa de alto nível enquanto Seul não assegurasse que Kim não enfrentaria consequências legais relacionadas ao caso.
- O conflito já afeta negociações sobre cooperação de defesa e tecnologia, além de adiamentos de visitas oficiais entre os dois países.
- Pesquisadores e investidores questionam o uso de temas de segurança para questões corporativas; firmas de investimento anunciaram arbitragens contra a Coreia do Sul sob o acordo de livre comércio com os Estados Unidos.
O grande fornecedor online Coupang revelou, no ano passado, que uma violação de dados expôs dezenas de milhões de contas de clientes. O episódio, inicialmente visto como uma crise corporativa, escalou para uma crise diplomática entre Coreia do Sul e Estados Unidos.
O governo sul-coreano deflagrou ações rápidas: invasões à sede em Seul, auditoria fiscal e convocação de executivos para testemunhar. Bom Kim, fundador e CEO do Coupang, não viajou para a Coreia para as audiências, citando compromissos globais.
Contexto e desdobramentos
Washington sinalizou que não manteria consultas diplomáticas de alto nível sem garantias de que Kim enfrentaria consequências legais no caso. O Ministério das Relações Exteriores sul-coreano disse que as investigações devem seguir sob a lei local e que a segurança deve ser discutida separadamente.
A tensão tem afetado conversas sobre apoio americano a submarinos nucleares sul-coreanos e a uma visita de delegação dos EUA, que foi adiada. O embaixado dos EUA em Seul não comentou o caso.
Repercussões políticas e econômicas
A discussão envolve a atuação de Coupang no mercado americano, com a empresa tendo sede em Seattle, listada na NYSE e recebendo apoio de lobistas locais. Em 2025 a Coupang gastou mais de 3 milhões de dólares em lobby, elevando o total desde 2021.
No primeiro quadrimestre de 2026, o lobbying em Washington aumentou, incluindo contatos com a Casa Branca e o Gabinete do Vice-Presidente. O tema ganhou apoio de membros do Congresso, que criticaram ações sul-coreanas contra a empresa.
Perspectivas e análises
Especialistas destacam que o cerne é a percepção de regulação e politicização do tema dentro da aliança. A administração Trump tem sugerido condicionantes que misturam economia e segurança, o que pode afastar áreas como cooperação tecnológica e defesa.
Paisajistas políticos apontam que o relacionamento EUA-Coreia do Sul pode enfrentar um patamar de tensão maior, com impactos potenciais em acordos diplomáticos e estratégicos na região.
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