- Memes com inteligência artificial ampliam o front informacional da guerra entre EUA, Israel e Irã, usando referências da cultura pop ocidental em vídeos e animações.
- Um dos memes mais engajados mostra o presidente dos EUA como boneco de Lego; vídeos com IA do grupo Explosive Media viralizaram e foram republicados por embaixadas iranianas.
- A Casa Branca respondeu com memes e cenas de videogames misturadas a imagens reais, incluindo o jogo Grand Theft Auto, em uma estratégia de comunicação disseminada na rede.
- Especialistas destacam que o Irã usa IA treinada em dados ocidentais para criar propaganda com apelo cultural externo, explorando a desregulação promovida pela administração de Donald Trump.
- Do lado iraniano, a estratégia é associar-se à vítima de agressão e manter o foco internacional; a guerra memética é vista como ferramenta de pressão diplomática, com impactos na credibilidade institucional.
Em meio ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, cresce um front não convencional: a guerra memética alimentada por inteligência artificial. Analistas dizem que a IA amplia a capacidade de propaganda, usando referências da cultura pop ocidental para moldar percepções internacionais.
Memes, animações e vídeos com IA ganharam espaço nas redes. Entre os recursos mais vistos, há bonecos de Lego, personagens de filmes e referências de games. Em uma peça iraniana, Trump aparece como um boneco de Lego, acompanhado de humor e referências culturais. A peça soma mais de 215 mil visualizações no X e foi amplamente republicada por embaixadas iranianas.
A resposta dos Estados Unidos não ficou atrás. A Casa Branca divulgou memes que misturam imagens reais de combate com cenas de videogames, na tentativa de contrapor a narrativa iraniana. Um vídeo patrocinado pela administração norte-americana acumulou milhões de visualizações no X.
Especialistas ressaltam que o foco não está apenas no conteúdo visual, mas na capacidade de o Irã explorar referências ocidentais com ferramentas de IA treinadas em dados da cultura pop. A estratégia busca influenciar audiências internacionais e pressionar apoiadores internos em território americano.
A visão de pesquisadores aponta para uma tática assimétrica: o Irã utiliza a estética de desenhos animados para tornar temas sensíveis mais palatáveis, especialmente em contextos de isolamento informacional. O grupo por trás dos vídeos, segundo investigações, opera como um coletivo independente que recebe, segundo apuração, encomendas oficiais.
A desregulamentação de normas sobre IA nos EUA é apontada como fator que facilita o uso dessas tecnologias por adversários. A retomada de controle de Trump sobre medidas de supervisão de IA é citada como elemento que pode ter ampliado o alcance de conteúdos ocidentais entre leitores e espectadores estrangeiros.
Do lado norte-americano, a chamada “gamificação da guerra” aparece como estratégia para engajar usuários com trechos de conteúdo audiovisual. Vídeos oficiais combinam imagens de ataques com cenas de jogos populares, como Call of Duty e Top Gun, segundo análises.
O debate sobre a eficácia e os riscos da propaganda digital é tema recorrente entre especialistas. Em estudo recente, pesquisadores destacam que a propaganda de guerra já foi utilizada em contextos históricos, e que a proliferação de memes cria dúvidas sobre a veracidade e a credibilidade das informações.
Entre os pontos discutidos, está o impacto na confiança pública diante de conteúdos mistos entre fato e ficção. Professores de comunicação destacam que a prática pode reduzir a percepção de credibilidade institucional, ainda que aumente o engajamento nas redes.
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