- As terras raras, grupo de 17 minerais, são cruciais para chips, motores elétricos e infraestrutura de IA; a demanda cresce com descarbonização e data centers.
- Hoje a China concentra grande parte da produção: cerca de 70% da extração e 90% do refino, o que gera preocupação estratégica mundial.
- A competição envolve EUA e União Europeia, que financiam mineração, refino e reciclagem para reduzir a dependência dessas reservas.
- O Brasil tem a segunda maior reserva mundial de terras raras (aproximadamente 25 milhões de toneladas) e busca atrair a cadeia de processamento, com projetos como parceria da CBMM para fabricar ânodos de baterias em Araxá.
- Desafios para aproveitar as riquezas incluem mapeamento detalhado do subsolo, clima regulatório estável e desenvolvimento de cadeias de produção, sob risco de vulnerabilidade geopolítica.
De onde vêm as terras raras? Do subsolo de vários países, com a China dominando a extração e o refino. A atual tensão entre EUA e China gira em torno de minerais críticos para chips, energia limpa e infraestrutura de dados, itens centrais para a IA e a transição energética.
As terras raras são 17 elementos, entre eles neodímio, praseodímio e ítrio, que ajudam a fabricar ímãs potentes para motores elétricos, geradores eólicos e baterias. A demanda cresce com a expansão de data centers, IA e mobilidade elétrica, elevando o peso estratégico dessas reservas.
O domínio global atual aponta a China como maior fornecedora, respondendo por boa parte da extração e do refino. Mesmo quando minerais são extraídos em outros países, grande parte do processamento ocorre em refinarias chinesas, fortalecendo o controle sobre cadeias produtivas.
Em 2010, medidas chinesas de restringir exportação expuseram vulnerabilidades das cadeias globais. Desde então, EUA e União Europeia financiaram projetos de mineração, refino e reciclagem para reduzir a dependência dessa fonte dominante.
A disputa envolve não apenas tecnologia, mas segurança econômica. Especialistas destacam que o custo de energia, água e infraestrutura para sustentar a produção de IA e energia limpa torna o acesso aos minerais um fator de poder geopolítico.
No Brasil, a perspectiva é menos turbulenta, mas potencialmente relevante. O país detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, cerca de 25 milhões de toneladas, e tem metade de sua matriz energética em renováveis. O objetivo é atrair a cadeia de processamento para dentro do território.
Para avançar, o Brasil encara desafios de mapeamento mineral, infraestrutura de produção e ambiente regulatório estável. Dados de referência indicam que apenas 4% do território brasileiro está detalhadamente mapeado, com 27% ainda em avaliação de qualidade, diante de padrões internacionais acima de 90%.
Uma parceria estratégica já aponta caminhos: a CBMM, líder mundial no nióbio, firmou acordo com a britânica Echion Technologies para fabricar ânodos de baterias de veículos elétricos em Araxá. A iniciativa ilustra como o Brasil pode ampliar participação na cadeia de valor.
A corrida global pelas terras raras não se restringe a mineração. Envolve políticas de descarbonização, tecnologia de IA, infraestrutura de dados e fontes de energia. A volatilidade de preços e a necessidade de supply chains resilientes são fatores centrais para governos e empresas.
Essa matéria foi publicada originalmente na edição de março de Época NEGÓCIOS. Credita-se às fontes mencionadas no texto para informações de domínio público, sem divulgação de contatos ou links.
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