- Mais de quinhentos e sessenta funcionários assinaram uma carta aberta ao CEO Sundar Pichai, enviada nesta segunda-feira (27), pedindo que o Google não permita uso militar de IA pelo governo dos Estados Unidos.
- A carta afirma que a IA deve beneficiar a humanidade e rejeitar cargas de trabalho sigilosas, incluindo armas autônomas letais e vigilância em massa.
- Relatos indicam que o Google estaria próximo de fechar acordo com o Departamento de Defesa para usar o modelo Gemini em operações sigilosas, sem as salvaguardas exigidas pela Anthropic.
- O contexto envolve o embate entre o Pentágono e a Anthropic, com Trump ordenando que órgãos governamentais parem de usar o Claude; a Anthropic contestou a decisão na Justiça.
- Os signatários são em sua maioria da DeepMind, com o cientista-chefe Jeff Dean entre os críticos, destacando vigilância e a necessidade de salvaguardas.
Mais de 560 funcionários do Google assinaram uma carta aberta ao CEO Sundar Pichai, pedindo que a empresa não permita que o governo dos Estados Unidos use a IA em operações militares sigilosas. O envio ocorreu nesta segunda-feira (27). A carta também questiona usos de vigilância em massa e armas autônomas letais.
A correspondência foi organizada pela equipe de DeepMind, o laboratório de IA do Google. Do total de signatários, grande parte atua na área de IA, com parcela semelhante na unidade de Cloud e no restante da Alphabet. Ao menos 18 membros seniores assinaram a peça, com a maioria optando por se identificar.
De acordo com as informações, a carta surge em meio a relatos de que o Google estaria próximo de fechar um acordo com o Departamento de Defesa para uso do modelo Gemini em operações confidenciais, sem as salvaguardas exigidas pela Anthropic. A tensão envolve compromissos anteriores da empresa com IA para fins não militares.
Contexto e pressão por posição pública
Antigas controvérsias sobre vínculos com o setor militar já marcaram o Google. Em 2018, funcionários pediram o desligamento do projeto Maven, que usava IA para melhorar drones, e a empresa não renovou o contrato. No ano passado, houve uma revisão de princípios de IA que alterou a proibição anterior de uso em armas ou vigilância.
A atualização dos Princípios de IA, segundo relatos, abriu espaço para usos mais amplos, sob justificativa de que modelos de ponta estão amplamente disponíveis e que é necessário ajudar o país a se defender. O cofundador Demis Hassabis explicou a mudança com o argumento de evolução do cenário tecnológico desde a aquisição da DeepMind.
Repercussões internas e externas
Dois signatários destacaram que o movimento não se restringe apenas a militares, mas também a riscos de vigilância com IA para liberdades civis. O grupo argumenta que a aplicação da tecnologia pode favorecer regimes autoritários caso não haja salvaguardas adequadas.
A carta também cita debates envolvendo a OpenAI, que enfrentou críticas internas ao fechar acordo com o governo após freio regulatório semelhante, e admite que decisões têm impactos reputacionais, comerciais e de papel global do Google. O documento destaca a necessidade de liderança responsável.
O que pode ocorrer a seguir
Os signatários pedem que o Google rejeite carga de trabalho sigilosa que envolva IA para usos militares ou de vigilância doméstica. O objetivo é evitar que a empresa seja associada a danos em operações confidenciais. A empresa ainda não confirmou detalhes de negociações com o governo.
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