- Trita Parsi, vice-presidente do Quincy Institute, afirma em entrevista ao Valor que a guerra no Irã fortalece o regime, aumentando a coesão entre líderes religiosos e militares.
- Segundo ele, esse fortalecimento reduz divisões em Teerã e aumenta a capacidade de sustentar o conflito.
- Parsi diz que a ideia de que disputas domésticas explicam o impasse diplomático não é convincente, atribuindo parte do cenário a mudanças na posição dos Estados Unidos e à sabotagem da diplomacia.
- O analista avalia que a guerra acelera a erosão da antiga ordem mundial, na qual Washington consegue impor custos, mas não converter isso em resultados políticos.
- Ele aponta que o Irã busca resistência e custos para o adversário, com atuação de aliados e pressão sobre rotas estratégicas, o que favorece um conflito prolongado sem desfecho político claro.
Em entrevista ao Valor, Trita Parsi, vice-presidente do Quincy Institute, afirma que a guerra no Irã fortaleceu o regime. Segundo ele, a coesão entre líderes religiosos e militares aumentou nos últimos 12 meses. O conflito, diz, reduz divisões em Teerã.
Parsi sustenta que o fortalecimento interno muda o cálculo do confronto. O governo iraniano passa a sustentar a posição de resistência, tornando mais difícil concluir um cessar-fogo. O analista vê impacto direto na diplomacia.
O especialista, que nasceu no Irã e vive nos EUA desde 2001, questiona leituras sobre rachaduras no poder. Alega que a conjuntura internacional, com ações dos EUA, explica o impasse diplomático mais do que tensões domésticas.
Para ele, o papel americano na crise está limitado. A política externa não consegue converter danos militares em ganhos políticos, aponta. O foco passa a ser manter custos para o adversário sem vitória rápida.
A guerra é vista como um processo de duração, não de vitória. O Irã mantém estratégia de resistência e de pressionar rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, ampliando o peso regional do conflito.
Do lado americano, Parsi aponta erro de leitura sobre escalada. Bombardeios e sanções elevam o custo, mas dificultam saídas diplomáticas. Sem opção para negociações, revela-se o perde-perde entre as partes.
A atuação regional revela agendas locais que o Irã não controla inteiramente. A região oscila entre acomodação com o Irã e dinâmica de confronto com EUA, Israel e Teerã, segundo o analista.
Para os próximos anos, o cenário é de continuidade gradual. O Irã apareceria como ator regional não eliminável, com diplomacia intermitente para gerir o conflito, sem resolvê-lo de forma definitiva.
O estudo de Parsi sugere que a guerra tende a se alongar, com impactos duradouros na geopolítica regional e na atuação dos Estados Unidos, mantendo-se sem desfecho político claro.
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