- A Itália extraditou aos Estados Unidos o cidadão chinês Xu Zewei, acusado de espionagem industrial ligada a segredos sobre vacinas contra a Covid-19.
- Xu Zewei foi preso em milão, no aeroporto de Malpensa, com base em mandado norte-americano que o associava a um grupo de hackers patrocinado pelo governo chinês, conhecido como Hafnium.
- A extradição foi aprovada em janeiro por um tribunal italiano; no início do mês, os recursos apresentados pelo acusado foram rejeitados pela mais alta corte do país.
- A defesa afirmou que Xu foi entregue a autoridades estrangeiras no fim de semana e que nem a família nem os advogados foram formalmente informados sobre o paradeiro atual do réu.
- O caso ocorre em meio a tensões entre itália e Estados Unidos, com ressalvas na relação entre a premiê Giorgia Meloni e o ex-presidente Donald Trump, além de visitas diplomáticas recentes entre roma e beijing.
Em meio a tensões entre Itália e Estados Unidos, a Itália extraditou aos EUA um cidadão chinês acusado de espionagem industrial, segundo o Financial Times. Xu Zewei é suspeito de tentar obter segredos sobre vacinas contra a Covid-19. A medida ocorre em um momento de atrito entre a premiê Giorgia Meloni e o ex-presidente Donald Trump.
Xu Zewei foi preso no ano passado no aeroporto de Malpensa, em Milão, com base em um mandado americano. A acusação o vincula a um grupo de hackers apoiado pelo governo chinês, conhecido como Hafnium. A extradição foi aprovada por um tribunal italiano em janeiro.
No início deste mês, a mais alta corte italiana negou os recursos do suspeito, consolidando a decisão de entregá-lo aos EUA. A defesa informou que Zewei foi transferido de uma prisão de Pavia para autoridades estrangeiras no final de semana, sem comunicação formal.
A acusação norte-americana sustenta que Zewei participou de atividades de espionagem durante a pandemia para obter pesquisas sobre coronavírus. A denúncia aponta alvos como universidades e pesquisadores de imunologia e virologia, sob orientação do Ministério da Segurança da China.
O FBI e a Agência de Segurança Cibernética associam as ações a uma ofensiva maior de Pequim. O chinês nega as acusações, afirmando ser vítima de um erro de identidade. O governo da China diz estar insatisfeito com a extradição e pede que a Itália não atue como cúmplice dos EUA.
Contexto diplomático
A extradição acontece num momento de tensão entre Roma e Washington. Meloni mantém relação próxima com Trump, mas a relação bilateral se esfriou após divergências sobre a presença de bases militares na Sicília e outras questões estratégicas.
Recentemente, a Itália rejeitou a instalação de bases americanas na Sicília, usadas contra o Irã. Trump criticou Meloni em entrevistas públicas, enquanto a premiê ressaltou que os laços com os EUA seguem firmes, apesar dos atritos.
Antes da decisão de extradição, o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, visitou a China. A ida visou fortalecer os laços com Pequim, que se complicaram após a decisão italiana de se retirar da Iniciativa Cinturão e Rota.
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