- O tenente-coronel Gannon Ken Van Dyke, soldado das forças especiais dos EUA, é acusado de uso ilícito de informações confidenciais para ganho pessoal ligado à suposta operação de remoção de Nicolás Maduro.
- Entre 27 de dezembro e 2 de janeiro, ele fez apostas no Polymarket totalizando cerca de 33.934 dólares relacionadas a Maduro e à Venezuela, com ganhos estimados em aproximadamente 409.881 dólares, que teriam sido retirados e transferidos para contas em criptomoedas.
- A acusação afirma que Van Dyke ajudou a planejar e executar parte da operação de captura de Maduro, dentro do uso de informações classificadas.
- Fora do serviço militar, ele atuava como investidor imobiliário, possuindo pelo menos seis imóveis e administrando um Airbnb chamado Daddy Bear Cave; a esposa também aparece em atividades ligadas ao mercado imobiliário.
- Além das acusações federais, há ação separada da Comissão de Regulamento de Futuros de Commodities, que o acusa de insider trading; ele deve ser apresentado a audiência inicial em uma corte federal em Nova York.
Gannon Ken Van Dyke, sargento-mestre da Marinha de Serviços Especiais dos EUA, é o centro de uma investigação que envolve operações classificadas, imóveis de aluguel e apostas financeiras ligadas à suposta remoção do presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Segundo acusações federais, ele participou do planejamento e da execução de uma operação militar nos Estados Unidos para capturar Maduro, ocorrida no início de janeiro.
A investigação aponta que Van Dyke, que atua desde 2008 nas forças armadas e desde 2023 como mestre-sargento, também gerenciava uma empresa imobiliária e mantinha imóveis com aluguel de longa duração. Registros públicos mostram a aquisição de pelo menos seis casas e a operação de uma acomodação própria na montanha, avaliada com avaliações positivas de hóspedes.
O caso jurídico
De acordo com a denúncia desmembrada, Van Dyke utilizou informações confidenciais para ganhos pessoais e cometeu fraudes envolvendo informações não públicas do governo. O militar enfrenta acusações de uso indevido de informações confidenciais, furto de dados não públicos, fraude de commodities, fraude eletrônica e transação monetária ilegal. A audiência de formalização de acusações está marcada para a próxima terça-feira em uma corte federal de Nova York.
Separadamente, ele é alvo de ação movida pela Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC), que o acusa de operação de insider trading. A agência sustenta que houve uso de informações privilegiadas para obter ganhos por meio de plataformas de negociação.
Da base militar aos investimentos
Van Dyke ingressou nas Forças Armadas Americanas em 2008 e passou a servir como mestre-sargento das Forças Especiais em 2023, conforme a acusação. Em Fort Bragg, na Carolina do Norte, foi treinado para operações especiais e assinou um acordo de confidencialidade em 2018, reconhecendo a confiança do governo em seu trabalho com informações sensíveis.
O texto da denúncia não detalha as atividades diárias nem o papel específico dele na operação de Maduro, que envolveu ataques aéreos, uma rede de informantes no terreno e uma presença militar numerosa na região. Além do serviço militar, Van Dyke aparece como empresário em redes sociais, com a esposa atuando como corretora de imóveis.
A montanha onde mantinha o aluguel e a casa avaliada em 340 mil dólares foram adquiridas cerca de 20 dias após a captura de Maduro, segundo registros públicos. A esposa, que utiliza plataformas de venda e aluguel de imóveis, mantém perfis ativos promocionando imóveis, sem menção recente ao marido em redes sociais.
A aposta nas redes descentralizadas
As investigações destacam o uso da Polymarket, plataforma baseada em criptomoedas, que tem sido alvo de escrutínio por possíveis operações de insiders por parte de funcionários públicos. O caso ganhou atenção após relatos de ganhos significativos com a captura de Maduro, com pagamentos efetuados pela plataforma logo após o evento.
Analistas ressaltam que a natureza da blockchain dificulta a identificação dos participantes, mas a denúncia afirma que Van Dyke criou uma conta na Polymarket com um endereço de e-mail pessoal e tentou ocultar sua identidade após o recebimento dos pagamentos. Segundo a instituição, ele retirou aproximadamente 409,9 mil dólares e transferiu grande parte para uma carteira de criptomoedas com juros, movendo depois o montante para uma conta de corretora recém-criada.
A investigação indica que Van Dyke abriu a conta na Polymarket em 26 de dezembro de 2025, usando uma VPN para simular navegação de outro país. Nos dias seguintes, ele realizou várias apostas, com ganhos em relação à remoção de Maduro. A depender de verificações judiciais, os promotores apontam que houve tentativa de ocultação de atividades.
A Justiça federal informou que o homem ainda não foi considerado culpado e que as informações oficiais indicam que a captura ocorreu no dia 3 de janeiro, com Maduro e a esposa, Cilia Flores, transportados para um navio da marinha dos EUA no Caribe. A denúncia descreve também a publicação de uma foto dele com farda e rifle em um navio, poucos minutos após o anúncio da operação pelas redes.
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