- O governo colombiano atribui ao grupo dissidente das Farc liderado por Iván Mordisco o atentado com bomba mais letal no país em trinta anos, em Cauca, que deixou vinte e um mortos civis.
- A ação seria uma barricada montada no sábado para emboscar forças de segurança em retaliação à pressão militar, após o fracasso das negociações de paz com o presidente Gustavo Petro.
- Mordisco, o criminoso mais procurado, recusou assinar o acordo de paz de dois mil e dezesseis e comanda o Estado-Maior Central, financiando atividades com o tráfico de cocaína, com cerca de três mil e duzentos combatentes.
- A eleição presidencial, marcada para trinta e um de maio, é mencionada no contexto do ataque; a candidata Paloma Valencia afirmou que Mordisco planejou matá-la, oferecendo mais de quinhentos mil dólares pela cabeça dela.
- O EMC, grupo dissidente, afirma ser herdeiro do projeto ideológico das Farc e atua com violência contra militares, civis e ativistas, mantendo símbolos do antigo grupo.
Centenas de pessoas reuniram-se em Cauca, na Colômbia, na segunda-feira, 27, para homenagear 21 vítimas do atentado mais letal com bomba no país nas últimas três décadas. O governo atribui o ataque a dissidentes das extintas Farc liderados por Iván Mordisco, considerado o criminoso mais procurado do país.
Segundo o Exército, a hipótese é de que os insurgentes montaram uma barricada no sábado, 25, para atrair forças de segurança e emboscá-las com explosivos. O ministro da Defesa, Pedro Sánchez, afirma que a barricada seria uma retaliação a pressões militares diante do rompimento das negociações com Mordisco. Até o momento não houve registro de mortes entre militares.
Especialistas destacam que o atentado é o mais letal desde o ataque ao clube El Nogal, em Bogotá, em 2003, que deixou 36 mortos. O episódio ocorre próximo ao direcionamento da pauta eleitoral, marcada para 31 de maio, com a candidata Paloma Valencia denunciando plano de Mordisco para assassiná-la.
Quem é Mordisco?
Drones explosivos e carros-bomba caracterizam a atuação do comandante do maior grupo dissidente das Farc. Mordisco, que não assinou o acordo de paz de 2016, comanda cerca de 3.200 combatentes que atuam com narcotráfico, mineração ilegal e extorsão, segundo pesquisas e relatos de especialistas.
O verdadeiro nome de Mordisco é Néstor Gregorio e ele é visto como atirador de elite com forte domínio de explosivos. Mantém a ideia de permanecer na selva após a transição das Farc para um partido político, liderando o grupo dissidente Estado-Maior Central (EMC).
Os dissidentes do EMC reivindicam herdar o projeto ideológico das Farc. Mordisco não participou das reuniões de paz em Havana e, desde 2016, mantém a linha de não depor as armas. Em vídeos, ele se apresenta como defensor dos pobres, apesar das acusações de ataques a militares, civis e ativistas.
Herdeiro de Escobar
O presidente Gustavo Petro compara Mordisco a Pablo Escobar, destacando que houve ataque e violência associados a narcotráfico. Petro afirmou que é necessária uma atuação firme contra o grupo, chamando-os de terroristas, fascistas e narcotraficantes.
Analistas ouvidos pela AFP apontam que Mordisco ganhou legitimidade pelas ações militares e pela recusa ao acordo de paz, o que ajudou a consolidar a liderança no EMC. O grupo continua ativo na Selva, mantendo símbolos do antigo movimento guerrilheiro.
Mordisco atuou como segundo em comando de destaque entre as Farc e, desde a separação, consolidou-se como figura central entre dissidentes. Em 2023, chegou a apresentar-se publicamente, anunciando início de tratativas com o governo, mas rompeu o diálogo em 2024, quando Petro o chamou de traqueto e lançou uma caçada com recompensas.
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