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Israel utiliza controle de recursos hídricos como pressão sobre Gaza

MSF acusa Israel de usar água como arma em Gaza, agravando a crise humanitária ao privar milhões de água potável

Pessoas buscam água potável no campo de refugiados palestinos de Bureij, na região central da Faixa de Gaza, em 28 de abril de 2026. - (crédito: AFP)
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  • A MSF indica que autoridades israelenses utilizam o acesso à água como arma contra a população de Gaza, classificando a prática como punição coletiva.
  • O relatório, com dados de 2024 a 2025, aponta destruição de infraestruturas hídricas e bloqueio ao fornecimento de equipamentos de água e saneamento.
  • Segundo a ONU, União Europeia e Banco Mundial, quase noventa por cento das infraestruturas de água e saneamento em Gaza foram destruídas ou danificadas.
  • A MSF cita disparos contra caminhões-pipa identificados e demolição de poços, além de impedimentos ao acesso de suas equipes a zonas de abastecimento.
  • Em março de 2026, a organização fornecia mais de 5,3 milhões de litros de água por dia, atendendo cerca de 407 mil pessoas, enquanto pedidos de apoio logístico enfrentaram rejeição ou atraso.

O relatório conjunto da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) acusa as autoridades israelenses de usar o acesso à água como arma contra a população de Gaza. Segundo o documento, a privação de água ocorre dentro de uma suposta campanha de punição coletiva, com registros entre 2024 e 2025. A MSF afirma que a destruição de infraestruturas hídricas e os bloqueios de equipamentos de água configuram esse padrão.

A MSF aponta que a retirada de água não é apenas de curto prazo, mas faz parte de um conjunto de ações que afetam saúde, higiene e dignidade das pessoas. O comunicado cita também assassinatos de civis e demolição de casas como fatores que ampliam deslocamentos. Claire San Filippo, diretora de emergências da MSF, descreve a prática como deliberada.

Contexto e denúncias

O relatório utiliza dados da ONU, da UE e do Banco Mundial para sustentar que quase 90% das infraestruturas de água e saneamento em Gaza foram destruídas ou danificadas. Entre poços, centrais de dessalinização, redes de água e esgoto, o impacto é generalizado. Em paralelo, a MSF relatou ataques a caminhões-pipa identificados.

Segundo a organização, muitos poços e fontes de água foram destruídos ou bloqueados, dificultando o acesso de dezenas de milhares de pessoas. A MSF indica que, mesmo com o cessar-fogo vigente desde outubro, a região continua marcadamente violenta, com acusações mútuas entre Israel e o Hamas sobre violações da trégua.

Impactos práticos e saúde pública

Relatos da MSF apontam que, em março de 2026, a organização fornecia mais de 5,3 milhões de litros de água por dia, suficiente para cerca de 407 mil pessoas. No entanto, ordens de deslocamento impedem o acesso de equipes a zonas com abastecimento.

A falta de água e de higiene aumenta riscos de doenças diarreicas, respiratórias e de pele. A escassez força a população a improvisos de saneamento, o que eleva contaminações. Parte dos pedidos de insumos, como unidades de dessalinização e cloro, foi recusada ou não respondida.

O que a MSF solicita

A MSF pede que as autoridades israelenses restabeleçam o acesso à água em níveis adequados para Gaza. Além disso, solicita aos aliados de Israel que pressionem para retirar obstáculos à entrada de ajuda humanitária, incluindo equipamentos de água e saneamento.

Fontes da MSF indicam que a organização continua presente na região, atuando como fornecedora relevante de água potável após as dificuldades logísticas e de acesso.

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