- MSF acusa autoridades de Israel de uso deliberado da privação de água como arma em Gaza, em meio à destruição de infraestrutura e a ataques a serviços de saúde e moradias.
- Cerca de 90% da infraestrutura de água e saneamento em Gaza foi destruída ou danificada, incluindo usinas de dessalinização, poços e redes de esgoto.
- Bloqueios de suprimentos e ordens de deslocamento dificultam atuação humanitária; entre maio e novembro de 2025, uma em cada cinco distribuições de água não atendeu à demanda.
- A falta de água potável, associada a más condições de vida, superalotação e sistema de saúde em colapso, aumenta o risco de doenças; negar água é considerado crime de guerra por especialistas da ONU.
- O estudo sobre reconstrução aponta US$ 71,4 bilhões para Gaza nos próximos dez anos; mais de 371 mil residências danificadas ou destruídas e mais de 60% da população sem moradia.
Um relatório divulgado nesta terça-feira, 28, pela Médicos Sem Fronteiras acusa autoridades de Israel de usar a privação de água como arma contra a população na Faixa de Gaza. A entrega de água potável é descrita como deliberadamente dificultada, ao lado de destruição de infraestrutura de saúde e moradias.
Segundo o documento, há destruição ou dano a cerca de 90% da estrutura de água e saneamento de Gaza, incluindo usinas de dessalinização, poços e sistemas de esgoto. São relatados ataques a caminhões-pipa identificados e aoções que atingem poços.
A MSF aponta que a escassez é agravada pelo bloqueio à entrada de materiais para o abastecimento de água e por ordens de deslocamento emitidas pelo Exército israelense, dificultando a atuação de equipes humanitárias.
Pais e mães enfrentam riscos adicionais, pois muitos tentam obter água e acabam feridos ou mortos. A organização alerta que a privação de água, aliada a habitações superlotadas e sistema de saúde colapsado, aumenta o risco de doenças.
Especialistas das Nações Unidas classificam a negação de água como violação ao Direito Internacional Humanitário e às convenções de Genebra, qualificando-a como crime de guerra, conforme o relatório.
Destruição e bloqueio
O estudo aponta que, desde outubro de 2023, itens como combustível, geradores e químicos para tratamento de água foram restritos, prejudicando o funcionamento dos sistemas de abastecimento. Entre maio e novembro de 2025, uma em cada cinco distribuições de água da MSF não atingiu a demanda.
O texto ressalta ainda que a situação de água potável impacta a saúde pública, com aumento de doenças respiratórias, dermatológicas e diarreias entre a população de Gaza.
O relatório também insere o contexto de danos maiores na região. Dados da ONU e da União Europeia estimam necessidade de US$ 71,4 bilhões para reconstrução na próxima década, com US$ 26,3 bilhões para os primeiros 18 meses.
Estes números incluem danos a residências, escolas e infraestrutura de serviços essenciais. Mais de 371 mil moradias foram danificadas ou destruídas, e a economia do território caiu cerca de 84%.
Ao menos 72 mil palestinos morreram e 172 mil ficaram feridos desde 7 de outubro de 2023, segundo fontes médicas citadas pelas Nações Unidas. Cerca de 1,9 milhão de pessoas foram deslocadas.
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