- Brasil ultrapassa os Estados Unidos no ranking mundial de liberdade de imprensa da Repórteres Sem Fronteiras, chegando ao 52º lugar em 2026, após subir 58 posições desde 2022.
- Pela primeira vez, mais da metade dos países (52,2%) está em situação “difícil” ou “muito grave”, segundo o relatório.
- A melhora brasileira é atribuída a maior abertura política e institucional, diálogo com a imprensa, melhor acesso a informações públicas e protocolos para investigar crimes contra jornalistas, além de não haver assassinatos de jornalistas desde 2022.
- Os Estados Unidos aparecem em queda, no 64º lugar, com o relatório citando ataques à imprensa e restrições à mídia durante a gestão de Donald Trump.
- No panorama internacional, Noruega lidera o ranking há uma década, Eritreia continua na última posição, e a América Latina registra situações críticas, com recuos de países como Argentina, El Salvador e México.
Brasil ultrapassou os Estados Unidos no ranking de liberdade de imprensa da Repórteres Sem Fronteiras (RSF) pela primeira vez na história. Em 2026, o Brasil ficou na 52ª posição, enquanto os EUA aparecem em 64º. A mudança ocorre após o país sul-americano subir 58 posições desde 2022, mudando de situação difícil para sensível.
A RSF aponta que, globalmente, mais da metade dos países enfrenta condições de liberdade de imprensa precárias. Em 2026, 52,2% dos Estados são avaliados como “difíceis” ou “muito graves”, índice que não era tão elevado há 25 anos.
Contexto regional e nacional
O relatório destaca a melhoria brasileira como resultado de mudanças no ambiente político e institucional após 2022, com maior abertura ao diálogo, acesso à informação pública e protocolos para investigar crimes contra a imprensa. O monitoramento de violência contra jornalistas também foi ampliado.
Entre os EUA e o Brasil, o documento registra que o governo americano apresentou queda de indicadores, em parte associada a ataques sistemáticos à imprensa e a restrições ao fluxo de informação pública. A RSF cita ainda casos de violência e detenções de jornalistas como pontos de tensão.
O estudo traz ainda dados sobre cenário regional, com a América Latina apresentando quadro crítico. Países como Argentina, El Salvador e México aparecem com posições desfavoráveis, agravadas por violência, ataques e uso de leis para restringir o trabalho jornalístico.
Como o ranking é elaborado
A RSF utiliza cinco dimensões de avaliação — política, jurídica, econômica, sociocultural e de segurança — baseadas em respostas de representantes de entidades da imprensa, jornalistas, acadêmicos e sociedade civil. O levantamento tem como referência percepções sobre o ambiente de atuação jornalística.
O relatório também aponta transformações em países de regimes fechados à imprensa e registra que, em algumas nações, leis de segurança nacional e antiterrorismo têm sido usadas para restringir o trabalho de jornalistas. Países com liberdade muito baixa permanecem no topo da lista de maior restrição.
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