- Desde que o presidente norte-americano deixou o acordo nuclear há oito anos, o Irã acumula 22.000 libras (11 toneladas) de urânio enriquecido; o paradeiro do material permanece incerto dois meses após início de uma guerra.
- A concentração de enriquecimento aumentou ao longo dos anos, chegando a níveis próximos de grau para armas, com picos de até 60 por cento, além de 20 por cento em momentos anteriores.
- O acordo de 2015 limitava a pureza do urânio enriquecido a 3,67 por cento e o tamanho do estoque a menos de 660 libras; o Irã entregou 25.000 libras (12,5 toneladas) sob o acordo.
- Após a saída dos EUA do pacto em 2018, o Irã começou a enriquecer além do limite, chegando a 20 por cento em 2021 e, posteriormente, a patamares mais altos.
- Em junho de 2025, Os EUA bombardearam instalações de enriquecimento no Natanz e Fordow e túneis de armazenamento em Isfahan; o Irã suspendeu cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica, dificultando o monitoramento.
O Irã acumula 11 toneladas de urânio enriquecido desde a saída dos EUA do acordo nuclear, há oito anos. O material, cuja destinação final permanece incerta, ficou em evidência duas semanas após o início de uma guerra norte-americana com o objetivo de impedir que o país desenvolvesse uma bomba atômica.
O estoque inclui urânio enriquecido em concentrações que vão de níveis de uso civil a patamares próximos do armamentista. Analistas afirmam que, quanto maior a pureza, mais próximo o material fica de usos bélicos, ainda que esse vínculo dependa de várias etapas técnicas.
Contexto histórico
A partir de 2006, o Irã iniciou enriquecimento de urânio em escala industrial, com alegação de fins pacíficos. Em 2015, unanimamente entre o Irã e seis nações, lideradas pelos Estados Unidos, foi firmado o acordo que limitou a pureza em 3,67% e o tamanho do estoque até 2030, com envio de parte do urânio para terceiros países.
A saída de Washington do pacto, em 2018, coincidiu com o aumento progressivo da enriquecimento acima do limite, primeiro em patamares baixos e depois até 20% em 2021. Biden tentou revisitar o acordo, sem sucesso, e o Irã chegou a enriquecer até 60% durante as negociações.
Situação atual
Com o retorno de Donald Trump à presidência em 2025, o acúmulo acelerou. Em junho daquele ano, durante um conflito de 12 dias, os EUA bombardearam instalações de enriquecimento em Natanz e Fordow, além das galerias de armazenamento em Isfahan. Um mês depois, o Irã suspendeu a cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Desde então, não houve verificação presencial das instalações, e parte do estoque continua oculto, enterrado ou danificado pelo conflito. A localização exata da maior parte do urânio enriquecido permanece incerta, mesmo com monitoramento por satélite.
Análise e perspectivas
Especialistas apontam que, mesmo com menção de estoques significativos, a conversão do urânio em uma ogiva exigiria semanas a meses, dependendo de condições técnicas e logísticas. A AIEA tem relatado variações nos números ao longo dos últimos anos, o que complica a avaliação precisa do risco imediato.
Observadores destacam que, no início do conflito, não havia ameaça imediata de arma nuclear, pois o avanço para um dispositivo requereria tempo considerável. Ainda assim, a presença de urânio enriquecido em estados avançados gera preocupações sobre capacidades futuras do país.
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