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Conflitos por recursos marinhos na África giram em torno do acesso, diz estudo

Estudo identifica mais de mil conflitos marinhos na África entre 2008 e 2018, com 75% por disputas de acesso a espaços e recursos, destacando necessidade de governança mais participativa

A fisher displays a meager catch at Goi Creek, Nigeria, in 2013, following oil spills in the area in years prior. Image by Milieudefensie via Flickr (CC BY-NC-SA 2.0).
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  • Estudo analisou conflitos marinhos em 34 países costeiros da África entre 2008 e 2018, identificando 1.013 casos.
  • Quase 75% dos casos foram disputas por acesso a espaços ou recursos, como áreas de pesca e licenças.
  • A maioria foi não violenta; 2% resultaram em mortes, geralmente associadas à pesca ilegal.
  • Fatores-chave incluem pesca ilegal, mudança na distribuição de benefícios, governança fraca e degradação de recursos, com expansão da economia oceânica elevando o risco.
  • Apelo por governança mais participativa e transparente para evitar impactos na sustentabilidade e na equidade; base de dados depende de relatos da mídia e não cobre períodos além de 2018.

O estudo reúne dados sobre conflitos relacionados a recursos marinhos na África, observando 1.013 casos entre 2008 e 2018 em 34 países costeiros. A maioria das disputas, aproximadamente 73%, envolve acesso a espaços ou recursos, como áreas de pesca e licenças.

Os autores analisaram fontes de imprensa e literatura acadêmica em inglês, francês e português para identificar padrões. Entre os fatores apontados estão pesca ilegal, mudanças na distribuição de benefícios, governança fraca e degradação de recursos decorrente de atividades humanas.

O pesquisa destaca que o oceano é palco de maior interesse de conservação e de atividades econômicas. O aumento de economia azul, mudanças associadas ao clima e a expansão de áreas de conservação elevam o risco de conflitos.

Entre os casos, destaca-se a tensão em Ghana, com pescadores artesanais buscando maior espaço para suas atividades e restrições para embarcações industriais. Em algumas situações, o conflito envolve uso do espaço — como conservação versus desenvolvimento hoteleiro — e a distribuição de benefícios, por turismo.

A maioria dos conflitos foi classificada como não violenta; apenas 2% resultaram em mortes, geralmente associadas a pesca ilegal. Mais de um quarto dos casos não envolveu pesca, evidenciando a diversidade de setores afetados, como mineração de areia ou projetos hoteleiros.

Os pesquisadores observam baixos índices de resolução durante o período estudado. A conclusão aponta a necessidade de governança mais participativa e transparência para reduzir disputas e melhorar resultados de políticas públicas.

Os autores enfatizam que o estudo descreve padrões e não tendências definitivas. Eles reconhecem limitações, incluindo potenciais vieses de cobertura jornalística e lacunas de dados além de 2018.

O trabalho reforça a importância de compreender onde ocorrem os conflitos, quem participa e a natureza das disputas para buscar caminhos de resolução, especialmente diante do avanço da economia oceânica na região.

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