- O estreito de Ormuz ficou sob forte pressão devido à guerra no Irã, reduzindo drasticamente o tráfego de navios e afetando mercados globais de petróleo, gás natural e fertilizantes.
- Antes do conflito, cerca de três mil embarcações cruzavam o estreito por mês, movimentando cerca de quinze milhões de barris por dia de petróleo bruto e derivados, cerca de um quinto do comércio mundial.
- Em março, apenas 154 embarcações cruzaram a região, resultando em déficits de combustíveis e impactos nos preços, principalmente na Ásia, com o tráfego operando perto de cinco por cento da média pré-guerra.
- O Irã abriu rotas alternativas próximas à costa e criou zonas de perigo, enquanto a Organização Marítima Internacional viu a rota oficial sendo pouco utilizada; os Estados Unidos implementaram bloqueio a navios que passam por portos iranianos.
- Mesmo com o bloqueio, muitos navios seguiram pela rota iraniana ou com cargas em portos do Irã, afetando Japão, Coreia do Sul e demais importadores asiáticos e levando países do Golfo a reduzir a produção.
À medida que a crise no Irã se aproxima de duas meses, o tráfego de navios pelo estreito de Ormuz foi drasticamente reconfigurado, afetando o fluxo de petróleo, gás natural e fertilizantes. A interrupção impacta mercados globais e cadeias de suprimento.
Antes do início dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã no final de fevereiro, o tráfego anual pelo estreito chegava a cerca de 3 mil embarcações por mês. Essas embarcações respondiam por aproximadamente 15 milhões de barris diários de petróleo bruto e derivados, representando cerca de um quinto do comércio mundial.
Desde o começo da conflagração, o fluxo diminuiu para um regime de abastecimento quase interrompido, com apenas 154 navios cruzando o estreito em março, segundo dados da Kpler. A queda aponta para uma redução de cerca de 95% em relação à média pré-conflito.
A situação gerou escassez de combustíveis, especialmente na Ásia, conforme o tráfico reduziu-se a um ritmo rápido e sem precedentes. Especialistas indicam que boa parte do tráfego está evitando o Golfo, realocando rotas e reduzindo a exposição ao estreito.
Rota de trânsito e controle do Irã
O estreito, com cerca de 38,6 km na seção mais estreita, se tornou um ponto crítico de navegação. O Irã passou a impor rotas alternativas próximas à costa, com verificações pela marinha e autoridades portuárias locais, reduzindo o uso da rota oficial da IMO.
Após um cessar-fogo acordado em 8 de abril, houve relatos de passagem segura prevista pelas autoridades iranianas. No entanto, o IRGC afirmou nova interrupção do tráfego em resposta a alegadas violações de Israel, desencadeando mudanças adicionais nas rotas.
A Guarda Revolucionária também divulgou mapas de rotas alternativas através de áreas como a Ilha de Larak, sinalizando zonas de maior controle e crise na navegação. A região passou a registrar maior tráfego próximo às águas territoriais do Irã.
Impactos e respostas internacionais
Consequências imediatas incluem pressão sobre portos do Irã, que passaram a operar sob regras mais restritas. Enquanto isso, países do Golfo e seus parceiros enfrentaram cortes de produção ante a instabilidade no estreito.
Dados recentes indicam que muitos navios continuam a transitar pela rota associada às autoridades iranianas, com parte das cargas abastecendo portos iranianos desafiando bloqueios internacionais. A depender da duração do impasse, a escassez pode se intensificar em mercados asiáticos.
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