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ONU diz 21 executados e 4 mil presos no Irã desde o início da guerra

Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos aponta 21 execuções e 4 mil detenções no Irã desde o início da guerra, com prisões de minorias e bloqueio de internet

Propaganda do regime islâmico em Teerã, capital iraniana (Foto: ABEDIN TAHERKENAREH/EFE/EPA)
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  • ACNUDH informou que, desde o início da guerra com EUA e Israel, foram executadas pelo menos 21 pessoas e mais de 4 mil foram presas no Irã, desde 28 de fevereiro.
  • Das execuções, nove foram por acusações relacionadas aos protestos de fim de 2022 e início de 2023, dez por suposta ligação a grupos de oposição e duas por espionagem.
  • O órgão destacou casos de desaparecimento forçado, tortura e outras formas de tratamento cruel, incluindo confissões forçadas e, às vezes, exibidas na televisão.
  • Minorias étnicas e religiosas, como bahá’ís, zoroastristas, curdos e balúchis, estiveram particularmente em risco.
  • A autarquia também informou a apreensão de bens de 675 cidadãos — incluindo 400 iranianos no exterior — sob a acusação de traição; o Irã manteve bloqueio de internet por 61 dias.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) informou nesta quarta-feira (29) que, desde o início da guerra entre Irã, EUA e Israel, pelo menos 21 pessoas foram executadas e mais de 4 mil foram presas no Irã. O conflito teve início em 28 de fevereiro, com um cessar-fogo tenso desde o dia 7 do mês seguinte. Os dados abrangem as ações das autoridades iranianas durante esse período.

Segundo o ACNUDH, nove execuções ocorreram por acusações relacionadas aos protestos que marcaram o Irã entre o final de dezembro e janeiro. Outras dez execuções teriam relações com alegada participação de indivíduos em grupos de oposição, e duas foram registradas por acusações de espionagem. O comunicado também aponta que muitos detidos sofreram desaparecimento forçado, tortura ou outros tratamentos cruéis, com confissões forçadas — às vezes televi candidatadas — e até simulações de execução.

O órgão da ONU destacou ainda que minorias étnicas e religiosas, como bahá’ís, zoroastristas, curdos e balúchis, estariam entre os grupos mais vulneráveis a represálias. Além disso, autoridades iranianas teriam apreendido bens de 675 cidadãos, incluindo 400 iranianos que vivem no exterior, sob a acusação de traição à pátria ou de cooperação com ataques contra o Irã.

O ACNUDH também chamou atenção para o bloqueio de acesso à internet no país, que já dura 61 dias, caracterizando um dos bloqueios mais longos e severos do mundo. Em resposta, o alto comissário Volker Türk reiterou o apelo para suspender as execuções, estabelecer uma moratória à pena de morte, assegurar devido processo legal e libertar detidos arbitrariamente.

Contexto e desdobramentos

  • O órgão de direitos humanos reforçou a necessidade de investigações independentes sobre denúncias de violações, bem como da proteção de populações vulneráveis durante o conflito.
  • A situação no Irã gerou críticas internacionais e levanta questões sobre o acesso à informação e a segurança de manifestantes sob repressão estatal.

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