- A violência no Oriente Médio, com risco de escalada entre potências nucleares, coloca à prova a utilidade da ONU sem consenso entre membros fixos do Conselho de Segurança.
- O enfraquecimento de operações de paz reflete a ausência de acordo entre potências, tornando mandatos frágeis e afetando proteção de civis e cessar-fogos.
- Após a Guerra Fria houve uma fase de convergência que expandiu missões de paz, mas esse alinhamento não se institucionalizou e hoje a competição geopolítica volta a dominar.
- Surgem coalizões ad hoc fora de uma moldura normativa comum, o que fragmenta precedentes, dispersa regras e enfraquece a autoridade do Conselho Universal.
- A ONU não busca eliminar conflitos, mas elevar custos políticos e institucionais do uso da força; manter sua centralidade depende de convergência política suficiente para ações coletivas legítimas.
Em curso há dois meses, o conflito no Oriente Médio aumenta o risco de escalada entre potências nucleares e levanta a pergunta sobre a função da ONU quando grandes atores estão em lados opostos. Guerras na Europa e instabilidade na África ampliam o cenário, destacando os limites da ordem multilateral criada em 1945.
A saída de operações de paz não é apenas ajuste financeiro. Reflete a falta de consenso entre membros permanentes do Conselho de Segurança, tornando mandatos frágeis e prejudicando proteção de civis, cessar-fogos e reconstrução institucional. A ONU não é governo, mas instrumento de poder compartilhado.
Após a Guerra Fria, houve uma janela de convergência que ampliou missões de paz, com mediação, monitoramento de cessar-fogo e apoio institucional. Esse arranjo não foi institucionalizado de forma permanente, ainda que tenha funcionado por algum tempo.
O cenário atual mostra maior competição geopolítica e o uso frequente do veto. Não é falha da ONU, mas expressão da falta de convergência entre potências. O resultado é menor previsibilidade, mandatos mais frágeis e implementação dificultada.
Coalizões ad hoc surgem para urgências pontuais, mas operam fora de uma moldura normativa comum. Precedentes se fragmentam, regras se dispersam e a autoridade do foro universal se enfraquece, limitando normas que contêm conflitos.
A ONU não visa eliminar conflitos, mas elevar o custo político, jurídico e estratégico do uso da força. Limites, canais diplomáticos e padrões são fortalecidos pela convergência mínima, não pela unanimidade absoluta.
O veto entre potências não é disfunção, mas reflexo da política internacional. Críticas à ONU pela ausência de consenso equivalem a culpar o termômetro pela febre que registra.
Sem regras compartilhadas, a competição aberta tende a aumentar incerteza e riscos de escalada. Potências médias são as primeiras a sentir o peso; normas comuns reduzem a imprevisibilidade.
Preservar a centralidade da ONU depende da convergência política que a sustenta. Reforçar o consenso é condição essencial para que a organização tenha legitimidade para cumprir seu mandato há mais de oito décadas.
Em resumo, a ONU permanece não como solução plena, mas como limite indispensável à desordem. Talvez seja a última referência comum em um sistema cada vez mais fragmentado.
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