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Sudeste Asiático recorre à Rússia para suprir falhas de combustível e adubos

Sudeste asiático busca suprir déficits de energia e fertilizantes com a Rússia, enquanto a UE alerta sobre impactos para a guerra na Ucrânia

Russian president Vladimir Putin, right, and Indonesian president Prabowo Subianto, pose for a photo during their meeting at the Kremlin in Moscow, on 13 April 2026.
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  • Sudeste asiático busca preencher lacunas de energia e fertilizantes, antes dependentes do Oriente Médio, com petróleo e insumos russos, em meio ao conflito na região.
  • União Europeia pediu aos países da região que não comprem petróleo russo para não financiar a guerra na Ucrânia.
  • Indonésia anunciou importação de até 150 milhões de barris de crude russo após encontro entre o presidente e Putin; Filipinas recebeu o primeiro carregamento russo em cinco anos, em março.
  • Tailândia negocia fertilizantes com a Rússia, enquanto o Vietnã acelera acordo anterior para construção de uma usina nuclear, diante da crise energética.
  • Para a Rússia, a situação gera lucros com energia e combustível, e pode ampliar vínculos na região, que já vê apoio a Putin em pesquisas públicas; nos EUA, a extensão de waivers para sanções ao petróleo russo está em debate.

A região sudeste asiático enfrenta uma busca urgente por energia e fertilizantes após o impacto da guerra no Irã. Países dependentes do Oriente Médio tentam compensar grandes gaps nas suas cadeias de suprimento, elevando a atuação de Moscou no tabuleiro regional.

Autoridades da União Europeia alertaram que a região não deve depender de petróleo russo para enfrentar os shortages provocados pelo conflito no Oriente Médio. O recado foi feito pela chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, após reunião de ministros de Relações Exteriores da Asean em Brunei.

Indonésia anunciou, na semana passada, a compra de até 150 milhões de barris de petróleo russo, após reunião entre o presidente Prabowo Subianto e Vladimir Putin em Moscou. A China e a Índia também têm sido citadas como possiblees pontos de contato de Moscou na região.

Na mesma linha, as Filipinas, aliadas dos EUA, receberam em março o primeiro carregamento de petróleo russo em cinco anos. A Tailândia negocia ofertas de fertilizantes com a Rússia, enquanto o Vietnã já tinha, antes da guerra, um acordo para construção de uma usina nuclear que ganhou mais relevância com o contexto atual.

Analistas dizem que a crise elevou a lucratividade de Moscou, com preços de energia sustentados e uma autorização de compra de petróleo russo sancionado no mar, permitindo ganhos significativos e reforçando a narrativa de que sanções ocidentais falharam.

À medida que os acordos se multiplicam, cresce a curiosidade sobre se o conflito no Oriente Médio abrirá espaço para ampliar a influência russa no Sudeste Asiático. Pesquisas de opinião indicam visões relativamente favoráveis a Moscou na região, mesmo diante do histórico de tensão com a Otan e com os EUA.

Especialistas apontam que a América e a China continuam com maior peso econômico e militar, limitando a capacidade de Moscou de expandir sua presença sem contrapesos. A relação com a China, contudo, pode oferecer respiro a alguns países com disputas marítimas, sobretudo na área de defesa.

O governo dos EUA autorizou, em março, a flexibilização temporária de sanções sobre o petróleo russo para aumentar o abastecimento global. A extensão dessa waiver, até abril, foi condicionada pela pressão de países asiáticos como Filipinas e Índia. A continuidade do benefício pode influenciar decisões regionais.

Nuclear energy é outra frente onde a Rússia busca espaço. O país já firmou contratos com Mianmar e Vietnã para fornecimento de energia nuclear, enquanto outros concorrentes disputam parcerias similares, ampliando o leque de opções estratégicas na região.

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