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Brasil adota narrativa de confrontação com os EUA, aponta estudo

Brasil adota narrativa de confronto com os Estados Unidos em meio a investigações do USTR, potencialmente elevando riscos para exportadores brasileiros

Brasil adota “narrativa de confrontação perigosa” com os EUA
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  • O United States Trade Representative abriu investigações sobre práticas comerciais do Brasil, com decisão esperada até julho, sob possível retaliação.
  • O governo Lula é visto como omisso na defesa dos exportadores brasileiros, while buscando uma narrativa de confronto com os EUA para ganhos políticos.
  • A Suprema Corte já limitou as tarifas de Trump de abril do ano passado, mas o governo americano ainda pode usar a Seção 301 do Trade Act em investigações.
  • Setores brasileiros de grande valor exportado aos EUA, como carne bovina, suco, aeronaves e madeira, podem ter tarifas, mas há produtos com pouca substituição direta.
  • A depender das estratégias diplomáticas, o Brasil pode enfrentar diversificação geográfica de produção e maior importância de outros mercados, além de ter reservas de terras raras como elemento de poder de barganha.

O Brasil passa a adotar uma postura de confronto com os Estados Unidos diante de investigações do governo americano sobre práticas comerciais. O USTR abriu, no ano passado, uma série de apurações que incluem o Brasil entre os alvos de possível irregularidade comercial. A decisão final deve sair até julho.

Especialistas veem a iniciativa como movida por ganhos políticos, não apenas por razões econômicas. Para o diplomata Marcos Troyjo, o governo Lula tem mostrado omissão na defesa de exportadores nacionais e busca fortalecer a narrativa interna de oposição aos EUA.

Troyjo afirmou que o momento é o mais tenso entre as duas maiores economias do continente e democracias ocidentais, ressaltando distância entre Brasília e Washington. Ele foi nomeado recentemente para o conselho da United Nations Foundation.

A análise aponta que, apesar de sinais de aproximação no passado, o Brasil permanece sob risco de retaliação decorrente das investigações do USTR. A atuação brasileira é vista como tentativa de influenciar o quadro político interno, segundo a leitura de Troyjo.

No âmbito jurídico, a Suprema Corte dos EUA decidiu que tarifas impostas anteriormente podem ter duração limitada sem nova autorização do Congresso. A renovação dessas tarifas dependeria de aprovação legislativa, o que tende a não ocorrer antes de novembro.

O ministro da Fazenda, Durigan, indicou que a decisão do USTR não deve ser encarada apenas como teatro político. Para ele, há forte componente geopolítico nas medidas comerciais, com impactos econômicos reais na relação bilateral.

Segundo especialistas, o Brasil é hoje mais protecionista que os EUA em determinados setores, o que complica negociações. Barreiras a etanol, por exemplo, permanecem apesar de pressões para derrubá-las, beneficiando produtores locais.

Caso não haja empenho diplomático, o comércio entre Brasil e EUA pode sofrer efeitos de diversificação geográfica. Empresas brasileiras já estudam deslocar parte de operações para Paraguai, Argentina e Uruguai para manter acesso aos EUA.

Em termos de comércio, os EUA representam uma participação relativamente pequena nas exportações brasileiras. Mesmo com protecionismo recente, a dependência do Brasil em relação aos EUA continua baixa, enquanto os EUA respondem com grande peso de investimento.

Entre os setores potencialmente poupados de tarifas, destacam-se itens como carne bovina, móveis e derivados de madeira, além de componentes usados na indústria de motores. A complexidade das cadeias produtivas dificulta substituição rápida.

A interlocução brasileira não deve depender de um único canal. especialistas sugerem diversificar contatos e explorar canais de representação política em Washington para ampliar a atuação diplomática.

No âmbito geopolítico, reservas de terras raras aparecem como possível instrumento de barganha. A China já utilizou esse tipo de recurso em negociações com os EUA, evidenciando vulnerabilidades de dependência tecnológica e mineral.

A China mantém vantagem em minerais críticos e figura entre os maiores fornecedores globais. O Brasil é visto como um ator com potencial estratégico, mas a percepção é de que o país não está explorando plenamente essa posição para influenciar acordos com Washington.

Analistas destacam que, para navegar o cenário, o Brasil precisa alinhar ações com objetivos econômicos tangíveis, evitando movimentos que aumentem incerteza para exportadores e investidores. O tema segue em evolução com a perspectiva de decisão do USTR em julho.

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