- A juria internacional de cinco membros da Bienal de Veneza renunciou poucos dias antes da abertura, em meio à controvérsia sobre a participação da Rússia.
- A saída foi anunciada pelos organizadores da Bienal, um dia após o Ministério italiano da Cultura enviar inspetores a Veneza para apurar a decisão de conceder um pavilão à Rússia.
- A cerimônia de premiação da 61ª edição foi remarcada para domingo, 22 de novembro, com dois prêmios; um deles pode ir a qualquer participação nacional listada, conforme o princípio de inclusão.
- A Bienal afirmou manter o espírito de abertura, diálogo e rejeição à censura, reforçando que deve seguir como espaço de encontro cultural.
- A União Europeia ameaça cortar ou suspender o financiamento de € 2 milhões devido à participação russa; o governo italiano criticou a decisão, com apenas o vice-primeiro ministro apoiando a volta da Rússia.
A comissão internacional de jurados da Bienal de Veneza anunciou sua renúncia poucos dias antes da abertura oficial da edição de 2026. O organismo decidiu deixar o cargo após a controvérsia sobre a participação da Rússia no evento. A retirada foi comunicada pela organização da Bienal, em nota publicada na quinta-feira.
A decisão ocorre após o Ministério italiano da Cultura enviar fiscais a Veneza para apurar informações sobre a permissão de um pavilhão russo no festival. A polémica envolve críticas internas e externas sobre a inclusão de Moscou na mostra, em meio a tensões políticas e legais entre a Rússia e outros países.
Em resposta, a Bienal informou que a cerimônia de entrega dos prêmios, originalmente marcada para 9 de maio, acontecerá no domingo, 22 de novembro. A organização disse ainda que serão distribuídos dois prêmios, com um deles podendo contemplar qualquer participação nacional constante na lista oficial.
A instituição ressaltou que a decisão mantém o espírito de abertura, diálogo e rejeição a qualquer forma de censura. Afirmou buscar um espaço de encontro entre arte, cultura e liberdade criativa, mantendo a Bienal como instituição aberta.
Na semana passada, a juria já havia sinalizado que não premiaria artistas de países cujos líderes enfrentam acusações de crimes contra a humanidade no tribunal internacional. A medida foi vista como resposta à situação envolvendo Rússia e Israel.
A equipe que compõe a juria inclui Solange Farkas na liderança, com Zoe Butt, Elvira Dyangani Ose, Marta Kuzma e Giovanna Zapperi. O painel foi nomeado por Koyo Kouoh, que havia sido escolhida para conduzir a edição de 2026, antes de seu falecimento no ano passado.
A Bienal enfrenta críticas por permitir a reabertura do pavilhão russo, após a invasão da Ucrânia em 2022. Embora não tenha proibido formalmente a participação, a edição de 2022 e 2024 não contaram com a presença da Rússia, em linha com posicionamentos anteriores de condenação à agressão.
A Comissão Europeia comunicou à Fundação Biennale a intenção de suspender ou rescindir um financiamento de cerca de 2 milhões de euros devido à participação russa. A instituição tem um prazo de 30 dias para apresentar resposta.
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