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Tribunal queniano permite processo histórico contra BP por resíduos tóxicos

Tribunal de Isiolo permite prosseguir ação coletiva contra BP por resíduos tóxicos da exploração petrolífera dos anos oitenta, com audiência em seis de maio

Residents of Kalacha settlement during a meeting with civil society representatives and lawyers in February, 2026.
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  • Corte de Ambiente e Terras de Isiolo autorizou que a ação coletiva contra a BP siga para uma audiência completa, acusando que resíduos tóxicos da exploração de petróleo dos anos oitenta contaminou água subterrânea no norte do Quênia, causando a morte de mais de 500 pessoas e milhares de animais.
  • A ação foi apresentada em fevereiro por 299 requerentes na Justiça de Isiolo, movida por moradores de Kargi e Kalacha, em Marsabit.
  • A audiência está marcada para o dia 6 de maio.
  • Além da BP, são réus a National Oil Corporation of Kenya, secretarias e agências regulatórias, governos locais e o Ministério da Justiça, entre outros.
  • O caso é apoiado pela Pastoralist Alliance for Resilience and Adaptation Across Nations (PARAAN), que reúne 37 organizações de nove condados do Quênia e de três países da região.

A Justiça do Eswatini? Não. No Quênia, a Environment and Land Court de Isiolo autorizou o andamento de uma ação coletiva contra a BP, que pode seguir para audiência final. A ação sustenta que resíduos tóxicos gerados entre 1985 e 1993 durante exploração de petróleo contaminarem água subterrânea no norte do país, tendo causado mais de 500 mortes de pessoas e milhares de animais.

A ação, apresentada em fevereiro por 299 requerentes em Isiolo, envolve moradores de Kargi e Kalacha, em Marsabit. Segundo os autos, a Amoco Corporation, adquirida pela BP em 1998, teria descartado resíduos perigosos em fossas não impermeabilizadas ou expostos ao ambiente, contaminando recursos hídricos usados para consumo e criação.

A decisão do High Court, anunciada em abril, não define responsabilidade, mas aponta que o caso atende ao estágio processual para tramitar até a fase de instrução. O avanço depende de um julgamento final, que deve ocorrer em 6 de maio.

Entidades envolvidas e desdobramentos

Entre os réus estão British Petroleum PLC, a National Oil Corporation of Kenya e secretarias de ambiente, água, saúde e mineração. Outros componentes são a Water Resources Authority, a prefeitura de Marsabit, o Procurador-Geral, a National Environment Management Authority, a Kenya Nuclear Regulatory Authority e a Kenya Medical Research Institute.

A BP informou por e‑mail à Mongabay que não comenta o caso. A ação é representada por 299 requerentes, que podem não abranger todos os afetados, segundo a defesa legal. O caso é apoiado pela Pastoralist Alliance for Resilience and Adaptation Across Nations PARAAN, rede que reúne 37 organizações em nove condados do Quênia e de três países da região.

Liban Golicha, coordenador da PARAAN, informou que a organização entrou no caso ao ter conhecimento de evidências trazidas por uma comunidade local. Golicha ressaltou que o episódio é visto como injustiça histórica e que a parceria auxilia na obtenção do consentimento comunitário e na logística da visita aos locais.

O grupo aponta ainda que denúncias semelhantes já surgem em outros condados do norte, como Garissa, Wajir e Isiolo. A PARAAN relata recebimento de consultas sobre ações legais semelhantes ou sobre participação em ações conjuntas. Se o andamento atual prosperar, o caso pode abrir caminho para casos equivalentes na região.

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