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Conferência global de direitos digitais é cancelada após pressão da China

RightsCon é cancelada após pressão da China sobre Zâmbia para excluir participantes taiwaneses, impactando debates sobre influência e censura digital global

Hakainde Hichilema and Xi Jinping shaking hands in front of both countries flags
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  • RightsCon, a maior conferência de direitos digitais do mundo, foi cancelada este ano após pressão do governo da China sobre o Zimbábue/Zâmbia para excluir participantes taiwaneses.
  • A organização Access Now afirma ter recebido informações de várias fontes de que diplomatas da República Popular da China pressionaram o governo da Zâmbia para impedir a participação presencial de ativistas taiwaneses.
  • A conferência prevista para Lusaka, Zâmbia, incluía painéis sobre a influência internacional da China, incluindo censura, ciberataques e exportação de autoritarismo digital.
  • A Zâmbia informou que o evento foi adiado “para data indefinida” por questões de segurança e exigências administrativas, citando também a necessidade de esclarecimentos sobre temas discutidos.
  • O adiamento ocorreu uma semana antes do evento, com impactos também em eventos paralelos, como o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa da UNESCO, previsto para ocorrer junto com RightsCon.

O RightsCon, maior conferência mundial sobre direitos digitais, foi cancelada neste ano devido a pressões do governo chinês, segundo a organização que a promove. A Access Now afirmou que diplomatas da China pressionaram o governo da Zâmbia para excluir participantes taiwaneses se o evento seguisse conforme o previsto.

Segundo a Access Now, a condição foi comunicada de forma informal por diversas fontes, com a exigência de moderar temas e excluir comunidades em risco, incluindo participantes de Taiwan, para participação presencial e online. A organização disse ter recebido informações de várias fontes sobre a interferência.

A conferência estava marcada para Lusaka, capital da Zâmbia, com previsão de cerca de 2.600 pessoas de mais de 750 organizações. O evento deveria abordar a influência internacional da China, censura digital, vigilância e ciberataques, entre outros temas.

O governo zambiano anunciou, uma semana antes do início, o adiamento do RightsCon para data ainda não definida, citando necessidade de transparência sobre informações temáticas e questões administrativas e de segurança. Panos apresentados pelos ministros apontaram entraves para a presença de participantes.

A entidade taiwanesa Open Culture Foundation também foi informada sobre eventuais problemas de entrada em solo zambiano, caso a presença de cidadãos taiwaneses fosse contestada pelo governo chinês. O anúncio motivou recomendações de suspensão de viagens para evitar riscos.

Nikki Gladstone, diretora do RightsCon na Access Now, confirmou que a organização alertou participantes taiwaneses sobre possíveis dificuldades de viagem, buscando clareza antes de recomendar deslocamento. A mudança foi motivada por incertezas logísticas.

Além do RightsCon, a celebração do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, organizado pela UNESCO, também foi afetada e deslocada para Paris ou atividades online, segundo informações da UNESCO. A coincidência com o evento gerou ajustes no cronograma.

A organização Access Now afirmou que a decisão de cancelar se deu após o que descreveu como pressão externa pressionando a participação de Taiwan. A direção do RightsCon ressaltou que mantém avaliações de risco em contextos diversos.

As obras de infraestrutura associadas ao evento ocorreram na Zâmbia com financiamento chinês, incluindo expansão de capacidade energética. O local escolhido para o RightsCon, o Mulungushi International Conference Center, passou por melhorias com apoio de recursos chineses.

Especialistas afirmam que a situação reflete tensões políticas e econômicas entre a China e Taiwan, somadas a laços econômicos entre a Zâmbia e Beijing. Observadores destacam o uso de influências internacionais para moldar agendas de conferências.

Alejandro Mayoral Baños, coordenador da Access Now, enfatizou que o cancelamento não encerra o movimento, apontando que a organização continuará a atuar. A entidade reiterou o compromisso com a defesa de direitos digitais de forma global.

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