- Interesses de LNG pressionam negociações da OMI (IMO) sobre descarbonização do transporte marítimo, com países influentes alinhando-se a posições pró-petróleo.
- O fechamento do estreito de Hormuz, após ações militares, aumentou preços do petróleo e deixou cerca de 20 mil marítimos em dificuldades em 2 mil navios.
- Países com fortes interesses em LNG teriam modificado posições, buscando evitar regulações mais rígidas sobre emissões de gases de efeito estufa.
- A proposta de taxa de carbono para o setor de shipping, útil para financiar frotas mais verdes, ficou suspensa por um ano após pressão internacional.
- Mesmo com pressões, especialistas indicam que há apoio de muitos Estados-membros da OMI para avanço gradual da descarbonização, dependente de decisões unívocas dos governos.
O debate na Organização Marítima Internacional (IMO) sobre a descarbonização do transporte marítimo avança com forte resistência de interesses ligados ao gás natural liquefeito (LNG). A discussão ocorre durante duas semanas de reuniões em Londres, com governos buscando caminhos para reduzir emissões, enquanto a indústria de petróleo e gás pressiona para manter regimes atuais.
O texto em negociação envolve dezenas de países; porém há sinais de que blocos com fortes interesses em LNG tentam alterar pontos-chave da agenda. Relatos indicam que países com economia dependente de LNG têm defendido mudanças que suavizam regulações de emissões e adiam medidas de transição.
O Hormuz, estreito estratégico para o petróleo, acabou por ser marcado pela instabilidade regional, elevando preços globais e destacando a relação entre o transporte marítimo e o petróleo. Em meio a isso, o LNG enfrenta custos elevados de movimentação, exigindo infraestrutura especializada e navios de grande capital.
Elementos-chave da discussão
Trabalhadores e especialistas destacam que cerca de 40% da frota global está dedicada ao transporte de combustíveis fósseis, incluindo LNG. A liquidez financeira do setor, aliada a investimentos em novas embarcações, influencia a posição de países na mesa de negociações.
Pesquisadores da University College London apontam que a demanda futura por LNG está sujeita a pressões políticas e econômicas, o que pode impactar o ritmo de descarbonização. A capacidade de financiar fusos regulatórios mais rigorosos depende de apoio dos estados-membros.
Specialistas do setor destacam que o LNG continua a manter papel central no atendimento à demanda energética, especialmente em países em desenvolvimento. Ainda assim, analistas ressaltam que o mercado de LNG pode enfrentar risco de superprodução diante de cenários climáticos mais restritos.
Para além das discussões, especialistas lembram que a transição energética não depende apenas do transporte marítimo. A demanda por lares, indústrias e geração elétrica tende a migrar para fontes renováveis, exigindo expansão de energia limpa e de infraestruturas associadas.
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