- Mulheres em cargos públicos enfrentam violência online cada vez mais sofisticada, com a IA facilitando abusos, incluindo o “assédio virtual” assistido por inteligência artificial.
- Em estudo com mais de 1.500 mulheres em vida pública, 6% relataram ter sido vítimas de deepfakes; quase um terço receberam avanços sexuais não solicitados online; aproximadamente 12% tiveram imagens compartilhadas sem consentimento.
- A pesquisa aponta que IA, anonimato e leis ineficazes aumentam os riscos e podem levar mulheres a se censurar ou abandonar o espaço digital.
- Quase um quarto de jornalistas e profissionais de mídia pesquisados disseram ter ansiedade ou depressão devido à violência online, e quase 13% foram diagnosticados com transtorno de estresse pós-traumático.
- Empresas de tecnologia devem implementar salvaguardas e canais de denúncia; governos precisam agir, já que menos de quarenta por cento dos países possuem leis para proteger mulheres de cyberharassment ou cyberstalking.
Oito em cada quinze: mulheres em cargos públicos enfrentam violência online cada vez mais sofisticada, segundo a ONU. O relatório da ONU Mulheres aponta que ferramentas de IA, anonimato e leis ineficazes aumentam o risco de participação no espaço digital. A promessa de um novo tipo de abuso, o “assédio virtual” assistido por IA, já está ao alcance dos aggressors.
Entre as pesquisadas, 6% de mais de 1.500 mulheres em vida pública disseram ter sido vítimas de deepfakes. Quase um terço relatou avanços sexuais não solicitados online, e cerca de 12% tiveram imagens pessoais compartilhadas sem consentimento. O relatório destaca a gravidade dessas violações.
“A IA facilita o abuso e o amplifica”, afirma Kalliopi Mingeirou, responsável pela agenda de violência contra mulheres na entidade. A prática é potencializada pela rapidez com que conteúdos circulam e pela persistência do anonimato. O estudo também aponta impacto na reputação profissional.
Desdobramentos e contexto
O documento lançado na quinta-feira sustenta que milhões de mulheres e meninas enfrentam abusos no espaço digital, afetando liberdade de expressão e participação pública. Muitas optam por ficar off-line ou se autocensurar para evitar retaliação, com custos pessoais e profissionais.
Segundo a UN Women, a silenciação online é parte de um fenômeno maior de retrocesso de direitos. A relação entre ataques coordenados e redes misóginas é destacada, incluindo ambientes que promovem hostilidade de forma extremada.
A pesquisa cita que a violência online tem efeitos reais na saúde mental: cerca de 25% das jornalistas entrevistadas reportaram ansiedade ou depressão, e quase 13% indicaram transtorno de estresse pós-traumático. A autocensura aparece em 45% das profissionais pesquisadas.
Medidas e compromissos
Mingeirou pediu que empresas tecnológicas implementem salvaguardas e mecanismos de denúncia mais eficientes. É necessária também ação governamental, já que menos de 40% dos países possuem leis que protegem mulheres de cyberbullying ou stalking.
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