- Trump intensificou ataques verbais a líderes europeus, chamando o chanceler alemão Friedrich Merz de “totalmente ineficaz” por críticas à guerra com o Irã.
- O Pentágono anunciou a redução de 5 mil das 36.400 tropas dos EUA na Alemanha e a aplicação de tarifas sobre carros e caminhões da União Europeia, com impacto maior na Alemanha.
- Trump também citou o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, dizendo que ele “não é Winston Churchill” e ameaçando impor uma grande tarifa sobre importações do Reino Unido.
- O Departamento de Defesa dos EUA cogitou punir aliados da Otan que, na visão norte-americana, não apoiassem a guerra no Irã, incluindo a suspensão da Espanha como membro e mudança no reconhecimento das Ilhas Malvinas como posse do Reino Unido.
- Diplomatas europeus destacam que as relações com os EUA recuaram e que a Europa busca ampliar capacidades militares e reduzir dependência, citando Merkel como exemplo de abordagem mais firme.
O presidente dos EUA, Donald Trump, intensificou ataques verbais contra líderes europeus nos últimos dias, elevando tensões entre Washington e seus aliados da OTAN. O episódio inclui críticas ao chanceler alemão Friedrich Merz por comentários sobre a guerra com o Irã, a quem chamou de pouco eficaz. A escalada ocorre em meio a mudanças anunciadas pelo Pentágono sobre a presença militar na Alemanha e novas tarifas para a União Europeia. O debate também envolveu o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, a quem Trump questionou publicamente sobre liderança.
Nesta semana, o Pentágono confirmou a retirada de 5 mil soldados de um total de 36,4 mil estacionados na Alemanha, acompanhada de tarifação de veículos da UE, com impacto mais direto sobre a Alemanha. Além disso, EUA sinalizaram mudanças de posição sobre aliados da Otan que, na visão americana, não estariam alinhados às operações no Irã, incluindo discussões sobre o envolvimento de Espanha e sobre o reconhecimento de Ilhas Malvinas como posse britânica.
A cerca de dois meses do início de conflitos com o Irã, governantes europeus têm buscado estabilizar laços com a administração de Trump por meio de visitas, acordos comerciais e ajustes políticos. O episódio gerou dúvidas sobre a continuidade do alinhamento transatlântico e levantou questões sobre o que sustenta a cooperação entre os dois lados.
Repercussões diplomáticas
Um diplomata europeu avaliou a situação como desconcertante, destacando a necessidade de manter posições firmes diante de ofensivas verbais. A postura de Merkel, alvo de comparações com execuções de estratégia anterior, é citada por alguns como exemplo de abordagem mais contida diante de Trump.
A narrativa interna entre europeus aponta que a resposta pública não deve se concentrar apenas em reações imediatas, mas em estratégias de longo prazo para preservar interesses comuns. Em Washington, alguns membros do Partido Republicano criticaram ataques aos aliados, apontando impactos negativos para interesses estratégicos dos EUA.
Especialistas destacam que as relações têm passado por ajustes desde o segundo mandato de Trump, com impactos já observados em setores como energia e comércio. Diplomatas associam o atual momento a um redesenho de alianças, com a Europa buscando ampliar capacidades militares para reduzir dependências externas e reforçar autonomia.
A cooperação entre EUA e Europa é apontada como essencial por analistas, ainda que haja divergências claras sobre a condução da política externa. Observadores ressaltam que a continuidade dos laços dependerá da capacidade dos demais atores de manter canais abertos para diálogos e de gerenciar crises sem recorrer a retórica agressiva.
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