- Gaza enfrenta grave escassez de próteses por bloqueio israelense, que dificulta a entrada de materiais, incluindo o gesso.
- A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de cinco mil pessoas perderam ao menos um membro desde o início do conflito.
- Israel classifica o gesso como material de duplo uso por questões de segurança, o que complica a disponibilidade de itens médicos e impede até iniciativas como transformar o papamóvel em clínica ambulante para crianças.
- O Centro de Pólio e Membros Artificiais, há quase cinquenta anos em Gaza, é uma das únicas opções; há necessidade de reciclar peças ou usar alternativas de menor qualidade.
- Pacientes precisam de acompanhamento frequente de fisioterapeutas e psicólogos; crianças especialmente exigem ajustes contínuos à medida que se desenvolvem, tornando o desafio social de longo prazo.
- Ramadan Sabra, 28 anos, perdeu o pé esquerdo após ataque e vive em tendas com a família; relata dificuldades de adaptação e paralisação de planos de estudo e viagem.
Ramadan Sabra, 28, perdeu o pé esquerdo em Gaza após ataques que atingiram a região desde outubro de 2023. Formado em engenharia, ele trabalhava em um restaurante e sonhava com viagens. A guerra causou a fuga da família para tendas na praia, com ataques aéreos frequentes.
A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 5.000 pessoas perderam ao menos um membro desde o início do conflito, que já deixou mais de 70 mil palestinos mortos. A escassez de próteses aumenta diante do bloqueio israelense, que dificulta a entrada de materiais como o gesso.
Israel aponta questões de segurança e classifica o gesso como material de duplo uso, capaz de alimentar grupos armados. O país mantém restrições na fronteira para itens necessários à produção de próteses e bloqueia entradas de itens de assistência médica.
Pat Griffiths, porta-voz da Cruz Vermelha Internacional, descreve a infraestrutura médica de Gaza como sobrecarregada. Em visita à faixa, ele relatou destruição generalizada e apontou vulnerabilidade maior entre pessoas com deficiência, que dependem de próteses para a mobilidade.
Entre as dificuldades, há longas listas de espera para próteses. Sem o gesso, o processamento é ainda mais lento e a demanda pode superar o que está disponível. O caso de Sabra ilustra a realidade de quem teve amputação recente e depende de serviços especializados.
Desafios logísticos e de atendimento
Em Gaza, o Centro de Pólio e Membros Artificiais atua há quase 50 anos e é uma das principais fontes de próteses. O centro atende centenas de novos casos por mês e costuma reciclar componentes ou recorrer a alternativas de menor qualidade quando necessário.
Pacientes precisam de acompanhamento constante de fisioterapeutas e psicólogos, especialmente crianças. O desenvolvimento em idade infantil exige ajustes regulares e trocas de próteses, configurando um desafio social de longo prazo para a região.
Sabra relata que já voltou a andar, ainda que com limitações. O sonho de retornar ao futebol permanece inviável no momento, diante das fronteiras fechadas e da dificuldade de obter tratamento adequado. O ambulatório precisa oferecer opções mais estáveis para a população amputada.
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