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Egito planeja bombear 10 milhões de m³ de água do Nilo para o deserto

Egito planeja bombear 10 milhões de m³/d do Nilo para o deserto, alimentando cidade planejada e polo agrícola, com críticas sobre segurança hídrica

Projeto do Egito de irrigar o deserto com até 10 milhões de metros cúbicos de água
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  • O Egito propõe bombear 10 milhões de metros cúbicos de água do Nilo por dia para o deserto, o equivalente a 7% da cota anual do país.
  • O objetivo é abastecer a cidade planejada de Jirian, a 42 quilômetros a oeste do Cairo, e irrigar o polo agrícola ligado ao projeto New Delta.
  • A água seria transportada por meio de seis estações elevatórias, captando no braço Rashid do Nilo para vencer o desnível até o destino.
  • A iniciativa é conduzida por três incorporadoras privadas em parceria com a Mostakbal Misr for Sustainable Development, com aval do primeiro-ministro Mostafa Madbouly.
  • Críticas destacam o estresse hídrico já vigente no país e o risco de agravar disputas com vizinhos like Sudão e Etiópia; os próximos passos incluem cronogramas detalhados e captação de recursos.

O governo do Egito apresentou um projeto ambicioso para desviar até 10 milhões de metros cúbicos de água do Nilo por dia, direcionando o recurso ao deserto. O objetivo é abastecer uma cidade planejada e irrigar um novo polo agrícola, num contexto de alta pressão hídrica.

A iniciativa envolve a criação de Jirian, uma cidade de 6,8 milhões de m² localizada a 42 quilômetros do Cairo. Anunciado em junho de 2025, o empreendimento terá áreas habitacionais, zonas comerciais e marina. O plano está integrado ao megaprojeto New Delta, que busca converter 2,28 milhões de acres de deserto em terras cultiváveis.

A água do Nilo seria captada no braço Rashid e deslocada por meio de seis estações elevatórias que vencem o terreno até o destino final. A proposta sustenta que a infraestrutura manterá o aporte diário de 10 milhões de m³ de forma contínua, com tecnologia semelhante a projetos anteriores de grande porte.

A iniciativa foi formalizada por três incorporadoras privadas em parceria com a Mostakbal Misr for Sustainable Development, ligada às Forças Armadas, e recebeu aval do Primeiro-Ministro Mostafa Madbouly. O governo diz que a meta valoriza ativos estatais e eleva o uso da terra com ideias inovadoras, gerando empregos e ocupando o território de forma planejada.

Especialistas e organizações internacionais apontam riscos. A FAO informa que o Egito enfrenta estresse hídrico, com cerca de 500 m³ per capita por ano, e depende em mais de 90% de recursos vindos do Nilo. Críticos alertam que volumes expressivos destinados a um projeto imobiliário podem agravar a pressão hídrica e tensionar relações com vizinhos como Sudão e Etiópia.

A assinatura entre construtoras e a estatal militar marcou o estágio inicial do acordo. Ainda faltam cronogramas detalhados, além da captação de recursos para viabilizar a construção. O projeto caminha entre promessas de desenvolvimento regional e a necessidade de assegurar a segurança hídrica da população.

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