- OFAC alertou que pessoas e empresas dos EUA podem enfrentar sanções se pagarem entidades iranianas; não‑americanos que pagarem também podem ficar sob riscos de sanções.
- O pagamento poderia envolver taxas de passagem pelo estreito de Ormuz; o Irã alega ter arrecadado a primeira “toll” depositada no Banco Central, mas não houve confirmação independente.
- O Irã tem restringido bastante o tráfego pelo estreito desde o início do conflito, e os EUA mantêm bloqueio naval desde 13 de abril; já foram instruídos 45 navios comerciais a retornar.
- O tráfego normal do estreito, de cerca de 3 mil navios por mês, caiu para apenas alguns por dia, impactando o comércio e o abastecimento global.
- As sanções visam especialmente os setores de petróleo e petroquímicos; o Tesouro dos EUA também impôs medidas contra três casas de câmbio estrangeiras iranianas para dificultar a repatriação de recursos.
O governo dos EUA avisou empresas de navegação que elas podem enfrentar sanções se pagarem pedágios ao Irã pela passagem pelo Estreito de Hormuz. O alerta, divulgado nesta sexta-feira pela OFAC, vale para pessoas e empresas dos EUA, e para entidades não estadunidenses que efetuem pagamentos.
Segundo a OFAC, participantes da indústria marítima com navios que atracam em portos iranianos correm risco de sanções sob várias autoridades que visam o setor de transportes e portos do Irã. A agência destacou que pagamentos podem envolver dinheiro, ativos digitais, créditos, trocas informais ou doações, incluindo aportes em embaixadas iranianas.
Medidas e impacto imediato
O Irã restringe fortemente o tráfego pelo estreito desde o início do conflito em fevereiro. O governo americano mantém um bloqueio naval a portos iranianos e acusações de pirataria sobre interceptações de navios. Hamidreza Haji Bababei, o vice-presidente da Assembleia Iraniana, afirmou que a primeira cobrança já foi depositada no Banco Central.
A OFAC não detalhou valores, métodos de cobrança ou quem pagou. A agência ressaltou que pagamentos por terceiros podem provocar responsabilidades civis ou criminais para entidades americanas, como seguradoras e instituições financeiras, se tais pagamentos violarem sanções.
Contexto estratégico no Estreito
O estreito é vital para petróleo e mercadorias diversas, incluindo alimentos e tecnologia. O bloqueio parcial desde 13 de abril reduziu o tráfego para apenas alguns barcos diários, com cerca de 45 navios comerciais ordenados a retornar desde o início do bloqueio, segundo o Centcom.
Antes, cerca de 3 mil navios passavam pelo estreito mensalmente; a circulação caiu consideravelmente após as ações persas contra barcos que ingressavam ou saíam de portos iranianos. O Irã descreve as ações americanas como bloqueio naval ilegal.
Repercussões humanitárias
A ONU ressalta que o fechamento de rotas marítimas aumenta custos de transporte. Em operações humanitárias, isso eleva prazos e custos de entrega de ajuda, o que afeta populações em emergências. O UNICEF informou que a rota para o Saara e o Corno de África já sofre impactos, com atrasos.
O custo do fornecimento de assistência no Sudão, em guerra há quatro anos, dobrou nos últimos meses por rotas alternativas pelo Cabo da Boa Esperança, acrescentando até 25 dias na entrega. A agência destaca adaptação com mais uso de rotas terrestres.
Diálogo e desdobramentos
Após ataques entre EUA, Israel e Irã em fevereiro, Teerã intensificou ataques a navios no estreito, inclusive com prisões. O diálogo entre EUA e Irã, iniciado em 8 de abril, permanece frágil, sem acordo de longo prazo até o momento.
O Irã apresentou uma proposta de acordo aos mediadores paquistaneses na quinta-feira, conforme a IRNA. O presidente dos EUA, Donald Trump, respondeu de forma negativa, citando divergências sobre termos e liderança iraniana.
Perspectivas e sinalizações oficiais
O Tesouro dos EUA sancionou, na sexta, três casas de câmbio iranianas que teriam convertido receita de petróleo em moedas mais utilizáveis. A autoridade reiterou a intenção de mirar com rigidez os principais setores geradores de receita do Irã, especialmente petróleo e petroquímicos.
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