- Em 2026 completa-se oitenta anos da abertura do Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente, conhecido como Tribunal de Tóquio, que julgou altos cargos do governo e do exército japoneses por crimes de guerra.
- Entre 3 de maio de 1946 e 12 de novembro de 1948, 28 autoridades japonesas foram julgadas; 25 foram condenadas, incluindo sete à pena de morte, 16 à prisão perpétua, um a vinte anos e outro a sete anos.
- O principal réu foi Hideki Tojo, primeiro-ministro entre 1941 e 1944, condenado à morte e executado em dezembro de 1948; o imperador Hirohito não foi processado, em meio a pressões internacionais para poupá-lo.
- O Massacre de Nanquim, destacado no tribunal, ocorreu após a captura de Nanquim em 1937, com estimativas de mais de trezentos mil mortos e dezenas de milhares de estupros.
- Na atualidade, a China monitora a remilitarização do Japão e planeja homenagens aos mortos, buscando mobilizar apoio internacional e enfatizar a memória histórica do Tribunal de Tóquio.
Em 1946, o Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente, conhecido como Tribunal de Tóquio, abriu seus trabalhos. A Corte julgou 28 autoridades japonesas ligadas à agressão contra China, Filipinas e Indonésia durante a Segunda Guerra Mundial. Do total, 25 foram consideradas culpadas, com 7 condenadas à pena de morte.
Os réus eram integrantes do governo e do alto comando militar japonês. O processo ocorreu entre 3 de maio de 1946 e 12 de novembro de 1948, com julgamento por 11 juízes de 11 nacionalidades distintas. Os veredictos apontaram diferentes penas, incluindo prisão perpéta, 20 e 7 anos de prisão; dois réus morreram antes do veredito, um foi considerado inimputável.
Entre os nomes mais relevantes, estava Hideki Tojo, primeiro-ministro entre 1941 e 1944, que acabou enforcado em dezembro de 1948. A não persecução penal do imperador Hirohito permanece controversa, com relatos de pressão norte-americana para poupá-lo e facilitar a transição no pós-guerra.
Massacre de Nanquim e impactos históricos
O processo destacou o Massacre de Nanquim, ocorrido após a captura da capital chinesa em 1937. Estimativas indicam mais de 300 mil mortos e dezenas de milhares de estupros durante seis semanas de violência. O memorial às vítimas tornou-se centro de memória e ensino na China.
Nanquin abriga memoriais dedicados ao massacre, reforçando a memória histórica no país. Desde 2014, a China realiza mobilizações nacionais para lembrar as vítimas e ampliar o acompanhamento internacional sobre o episódio.
Contexto atual China-Japão
Em 2026, completam-se 80 anos desde a abertura do Tribunal, lembrando um marco histórico comparável ao Tribunal de Nuremberg. O momento coincide com tensões entre China e Japão, acentuadas pela ascensão política da primeira-ministra Sanae Takaichi, defensora de remilitarização.
O governo japonês implementou medidas que ampliam a defesa, incluindo a revogação de restrições à exportação de armas letais e o aumento dos gastos com defesa para 2% do PIB. Tais ações são observadas de perto pela China, que teme mudanças no equilíbrio regional.
A China monitora os movimentos japoneses e planeja homenagens que ampliem a conscientização sobre a história do Tribunal de Tóquio. Pequim também busca apoio internacional para influenciar a política externa do atual governo japonês.
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