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ONU alerta para censura e mortes no Dia da Liberdade de Imprensa

ONU alerta censura, violência e impunidade contra jornalistas; Brasil ultrapassa EUA no ranking mundial de liberdade de imprensa

Governo assina protocolo que protege jornalistas
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  • No Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, a Organização das Nações Unidas alerta sobre censura, vigilância, assédio judicial e mortes de jornalistas em várias regiões.
  • O secretário-geral informou que 85% dos crimes contra profissionais da imprensa não são investigados nem resultam em condenação, considerado um quadro de impunidade inaceitável.
  • A violência online contra mulheres jornalistas vem crescendo, com aumento de denúncias desde 2020 e dados sobre compartilhamento não autorizado de imagens, deepfakes e mensagens de cunho sexual.
  • Brasil passou os Estados Unidos no ranking de liberdade de imprensa de 2026, ocupando a 52ª posição diante da 64ª dos EUA, fruto de avanços desde 2022 (58 posições).
  • A RSF aponta que melhorias ocorrem pela implementação de protocolos de investigação de crimes contra jornalistas e pelo maior acesso à informação, apesar de o país ainda enfrentar fragilidades políticas, econômicas e sociais.

No Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, a ONU emitiu alerta sobre censura, vigilância, assédio judicial e mortes de jornalistas em várias regiões. A mensagem destaca pressão crescente sobre o exercício do jornalismo e o acesso à informação.

Guterres afirmou que o setor atravessa um período de ameaças à segurança dos profissionais e de restrições à imprensa. Segundo ele, houve aumento no número de jornalistas mortos nos últimos anos, muitos em zonas de conflito.

A Organização também aponta que 85% dos crimes contra jornalistas não chegam a ser investigados nem resultam em condenação, refletindo impunidade reconhecida como inaceitável.

A ONU ressalta que a profissão envolve riscos para relatar fatos e buscar a verdade, em guerras e em contextos onde autoridades buscam evitar fiscalização e escrutínio público.

Fatores como crises econômicas, novas tecnologias e manipulação de informações ampliam a pressão sobre a liberdade de imprensa, segundo Guterres. O acesso a informações confiáveis fica comprometido.

Ataques ao jornalismo dificultam a prevenção de crises, pois comprimem a circulação de informações verificadas e o acompanhamento de fatos de interesse público.

Guterres pediu proteção aos direitos dos jornalistas e a criação de um ambiente onde profissionais atuem com segurança e a verdade seja preservada.

Violência online: riscos aumentam para mulheres jornalistas

Dados de um relatório apontam que, desde 2020, delegacias de todo o mundo recebem o dobro de denúncias relativas à violência contra mulheres no jornalismo. Online, 12% relataram compartilhamento não consensual de imagens, 6% receberam deepfakes e quase um terço recebeu mensagens sexuais não solicitadas.

O estudo indica que os ataques costumam ser coordenados para silenciar, prejudicar a credibilidade profissional e a reputação pessoal das profissionais. Autocensura e redução de atuação profissional já são observadas.

Entre jornalistas e profissionais da mídia, 45% relataram autocensura no último ano, com alta em relação a 2020. Cerca de 22% limitaram conteúdos no trabalho; 25% enfrentaram ansiedade ou depressão associadas à violência digital.

A pesquisa também aponta fragilidade legal: menos de 40% dos países possuem legislação específica para combater assédio online contra mulheres, deixando bilhões sem amparo jurídico.

Kalliopi Mingeirou, da ONU Mulheres, destacou que a expansão da inteligência artificial facilita abusos digitais e exige respostas rápidas de leis, plataformas e instituições para proteger direitos.

Brasil avança no ranking de liberdade de imprensa

O Índice Mundial de Liberdade de Imprensa de 2026 mostra o Brasil na 52ª posição entre 180 países, à frente dos Estados Unidos, que ocupam a 64ª. O estudo cita melhora pela implementação de protocolos contra crimes contra jornalistas.

A mudança é atribuída à queda de assassinatos de profissionais no país desde 2022 e ao acesso mais eficiente à informação. Ainda assim, o relatório classifica o Brasil como país com condições problemáticas para a imprensa.

No topo, Noruega lidera o ranking, com um mercado de mídia dinâmico e independência editorial. A Eritreia ocupa a pior posição, com controle estatal da mídia e perseguição a jornalistas.

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