- Operação realizada entre 17 e 19 de abril em Chihuahua, no município de Morelos, visava desarticular laboratórios clandestinos de drogas sintéticas.
- Dois agentes da CIA morreram em um acidente de carro durante o retorno do comboio; o embaixador dos Estados Unidos expressou pesar pela fatalidade.
- O governo de Chihuahua pediu explicações oficiais; o procurador-geral César Jáuregui renunciou em 27 de abril e foi criada uma unidade especial da Procuradoria para apurar a presença dos agentes.
- Segundo a fiscalização federal, nenhum dos dois agentes estava credenciado para atuar no território mexicano; um deles teria entrado como visitante sem permissão para trabalho, o outro com passaporte diplomático.
- O governo federal encaminhou nota diplomática aos Estados Unidos; o Senado convidou autoridades para prestar esclarecimentos e a Procuradoria-Geral da República abriu duas investigações relacionadas ao caso.
Dois agentes da CIA morreram em um acidente de carro durante uma operação para desmantelar laboratórios clandestinos de drogas sintéticas no estado de Chihuahua, no norte do México. A operação ocorreu entre sexta-feira, 17, e domingo, 19 de abril, envolvendo a Procuradoria de Chihuahua e o Exército. A revelação da participação de civis americanos gerou repostas formais de autoridades mexicanas e estrangeiras.
O acidente aconteceu na noite de 19 de abril, quando o comboio retornava à capital do estado. Segundo o então procurador-geral de Chihuahua, César Jáuregui, o veículo capotou durante a madrugada. Além dos dois agentes da CIA, morreram o diretor da AEI, Pedro Román Oseguera Cervantes, e o escolta Manuel Genaro Méndez Montes. Dois funcionários americanos vinculados à Embaixada também estavam no carro.
A notícia provocou resposta diplomática: o embaixador dos EUA, Ronald Johnson, lamentou as perdas e ressaltou o desafio conjunto de segurança entre os dois países. Na mesma semana, o governo mexicano manifestou que solicitará explicações oficiais ao governo de Chihuahua e aos EUA sobre a presença de agentes estrangeiros no estado.
Na segunda-feira, 20 de abril, a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, afirmou que o governo não tinha conhecimento prévio da presença dos agentes em Chihuahua e pediu esclarecimentos para verificar se houve violação à Constituição ou à Lei de Segurança Nacional. A investigação busca entender como ocorreu a cooperação entre autoridades mexicanas e agentes estrangeiros.
Levantamentos iniciais indicam que, segundo autoridades mexicanas, os agentes entraram no México de modo irregular para a operação, com credenciamento irregular ou inexistente. O gabinete de Segurança do governo federal afirmou que nenhum dos falecidos possuía credenciamento para atividades operacionais no território mexicano.
A partir de 21 de abril, veículos internacionais passaram a reportar que os falecidos eram agentes da CIA. A divulgação gerou questionamentos sobre a presença de agências estrangeiras em território mexicano e levou o Senado a chamar autoridades para prestar esclarecimentos.
No dia seguinte, a governadora de Chihuahua, Maria Eugenia Campos, participou de encontros com autoridades federais para discutir o caso. Em 23 de abril, Campos divulgou apoio à atuação conjunta entre governos, sempre dentro do marco legal. Uma unidade especial da Procuradoria de Chihuahua foi criada para investigar a presença dos agentes.
No dia 25 de abril, autoridades mexicanas informaram que, segundo registros migratórios, um agente americano entrou como visitante sem autorização para atividades remuneradas, enquanto o outro entrou com passaporte diplomático. A mensagem reforçou que nenhum dos dois tinha credenciamento para operações no país. A Procuradoria-Geral da República abriu duas investigações: sobre os laboratórios e sobre a presença dos agentes.
Entre as informações já divulgadas, destaca-se que os agentes estavam vestidos à paisana, sem identificação ou armas à vista durante grande parte do trajeto, e manteram contato direto com autoridades locais. As investigações continuam para esclarecer responsabilidades e circunstâncias do ocorrido.
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