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Relação com EUA explica escassez de combustível em Cuba

EUA interromperam envio de petróleo venezuelano e ameaçaram tarifas, deixando Cuba em racionamento e agravando a crise econômica do país

Carros passam por bandeiras cubana e americana ao lado da Embaixada dos EUA em Havana, Cuba
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  • Os Estados Unidos interromperam o envio de petróleo venezuelano para Cuba e ameaçaram tarifas a outros exportadores, reduzindo a principal fonte de combustível da ilha.
  • O México acabou suspendendo envios planejados após as ameaças tarifárias, ampliando o impacto sobre Cuba.
  • A tensão entre Havana e Washington aumentou durante o segundo mandato de Donald Trump, com mais sanções e restrições econômicas.
  • Historicamente, as relações entre Cuba e os EUA se deterioraram após a revolução de 1959, levando ao embargo e ao rompimento diplomático em 1961.
  • Analistas avaliam que, sem incentivos claros para cooperar, as perspectivas de um acordo significativo entre Cuba e os EUA são reduzidas.

O governo dos Estados Unidos interrompeu o envio de petróleo venezuelano para Cuba, retirando a principal fonte de importação de combustível da ilha. A medida, associada à ameaça de tarifas a outros exportadores, agrava a crise econômica cubana e já levou o México a suspender envios planejados. A comunicação oficial de Washington aponta negociações de alto nível com Cuba, enquanto Havana busca alinhar-se a um acordo que reduza a pressão externa.

A decisão norte-americana surge em meio a décadas de atrito entre Washington e Havana, intensificado nos últimos anos pelo agravamento de sanções e pela cobrança de mudanças políticas. O embargo, estabelecido na metade do século passado, permanece como marco central das relações bilaterais. Cuba depende de importações de petróleo para energia, transporte e produção de bens essenciais.

Outro fio histórico envolve a relação de Cuba com a Venezuela e a Rússia, que forneceram petróleo e apoio político ao longo de anos de tensão com os EUA. A alteração na política de Washington repercute diretamente no abastecimento cubano, já pressionado por dificuldades financeiras e déficits de fornecimento.

Contexto histórico

A relação entre Cuba e os Estados Unidos se rompeu de vez em 1961, após a nacionalização de ativos americanos e a guinada de Fidel Castro para a aliança com a União Soviética. A partir daí, o embargo e a ruptura diplomática moldaram décadas de interação tensa entre as duas nações.

Apoiada pela União Soviética, Cuba passou a receber petróleo em condições favoráveis nos primeiros anos do alinhamento, compensando perdas com o isolamento econômico externo. O conflito geopolítico influenciou episódios marcantes, como a Crise dos Mísseis de 1962, que manteve o mundo à beira de um conflito nuclear.

Cenário atual

Entre 2014 e os anos seguintes, houve tentativa de reaproximação sob Barack Obama, com abertura diplomática e relaxamento de sanções. Na prática, no entanto, reformas cubanas ficaram limitadas e o controlo estatal se manteve ampliado, com o exército exercendo papel relevante na economia.

A reversão começou com a gestão de Donald Trump, que endureceu medidas e reclassificou Cuba como país patrocinador do terrorismo. Em 2021, a designação reiterou o isolamento externo e complicou ainda mais qualquer perspectiva de acordo rápido com Washington.

A perspectiva de acordo entre Cuba e os Estados Unidos permanece incerta. Autores consultados destacam que o contexto atual difere do período de maior engajamento de Obama, com menos incentivos para cooperação por parte de Havana e maior pressão para manter o bloqueio econômico.

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