- Dois ativistas britânicos, Alice Chapman e Zak Khan, disseram ter sido admitidos em hospital após serem supostamente agredidos por forças israelenses durante a interceptação de uma flotilha de ajuda em águas internacionais perto de Creta, na semana passada.
- Khan afirmou ter sido atingido no perna por um tiro de bala de borracha, sido espancado, chutado e cuspido, além de ter sido acusado de ser terrorista. Chapman relatou ter sido golpeada por um soldado israelense.
- Segundo os relatos, cerca de metade dos detidos dormia dentro de contêineres de navios de transporte, enquanto a outra metade dormia ao ar livre, com frio durante a noite e calor durante o dia; houve privação de água durante o dia e uso de granadas de efeito sonoro para interromper o sono.
- No total, sessenta e quatro pessoas foram levadas ao hospital após a liberação de parte dos detidos; dois membros da flotilha, Saif Abukeshek e Thiago Ávila, seguem detidos em Israel e já foram apresentados a um tribunal em Ashkelon, sem que haja acusações formalizadas.
- Organizações da flotilha e governos de Espanha e Brasil criticaram a ação, chamando de sequestro/pirataria a detenção em águas internacionais; o Itamaraty e o Foreign Office britânico disseram que aguardam resolução do caso dentro do direito internacional.
Dois ativistas britânicos afirmam ter sido levados a hospital após serem agredidos por forças israelenses que interceptaram a flotilha humanitária Gaza Sumud, perto de Creta, na semana passada. Alice Chapman e Zak Khan estavam entre 180 membros detidos pela IDF em águas internacionais. A detenção ocorreu na noite de quarta-feira, durante o esforço de levar suprimentos a Gaza.
Khan, candidato ao conselho pelo Partido Verde, relata ter sido alvejado na perna por uma bala de borracha durante o confronto. Ele afirma ter sido agredido por quatro pessoas, levando pancadas, chute, cusparadas e acusações de terrorismo. Chapman também descreve ter sido golpeada por um soldado israelense.
Chapman descreve que, entre os detidos, cerca de metade dormia dentro de contêineres e a outra metade ao ar livre, com frio intenso à noite e calor durante o dia. Ela afirma que alguns soldados negaram água e usaram granadas de multidões para atrapalhar o sono. Khan diz que houve confinamento em cells isoladas e que alguns passaram por agressões relatadas em voz alta.
Detalhes dos relatos
Khan disse que médicos informaram estar perto de sofrer fratura no maxilar durante a agressão e que contraiu uma infeção pulmonar devido às condições no navio-prisão. Um colega, citado como Richard, teria sido muito mal batido dentro de um contêiner, segundo Khan; o resto dos detidos não conseguiu vê-lo, mas o som das agressões era audível.
Os dois ativistas estavam entre 34 pessoas hospitalizadas após a libertação, três delas conduzidas por ambulâncias. Khan afirmou que parte dos detidos foi levada a hospital com necessidade de atendimento emergencial. Os relatos também apontam que parte dos detidos permaneceu detida em condições desumanas, com interrupções de água e restrições de sono.
Situação legal e desdobramentos
A flotilha Global Sumud diz que 180 pessoas foram interceptadas pela IDF, com a detenção de integrantes de várias nacionalidades, incluindo britânicos. Dois detidos — Saif Abukeshek, de nacionalidade espanhola e palestino, e Thiago Ávila, brasileiro — permanecem sob custódia em Israel e foram apresentados a um tribunal em Ashkelon, sem acusação formal até o momento.
Autoridades israelenses foram contatadas para comentar o caso. O Ministério das Relações Exteriores de Israel já havia minimizado a ação da flotilha como uma provocação envolvendo operações legais. O Foreign Office do Reino Unido não respondeu a solicitações de comentário, limitando-se a dizer que acompanha o caso com a expectativa de resolução segura e conforme o direito internacional.
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