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Disputa entre Guiana e Venezuela sobre Essequibo é questão existencial em Haia

Guiana afirma que a disputa de Essequibo é existencial; CIJ avalia fronteira de 160 mil km², rica em petróleo, em meio a tensões com a Venezuela

Imagem de arquivo. Um membro da Assembleia Nacional da Venezuela segura um mapa que mostra a região disputada de Essequibo como parte do país em meio ao aumento das tensões entre Caracas e a Guiana, às vésperas de um referendo sobre o território, em 6 de dezembro de 2023.
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  • A Corte Internacional de Justiça iniciou, em 4 de maio de 2026, uma semana de audiências de mérito sobre a disputa pela região de Essequibo entre Guiana e Venezuela, que segue até 11 de maio.
  • A Guiana defende a fronteira de 1899 e pede à CIJ que ratifique essa demarcação; o Essequibo corresponde a cerca de dois terços do território guianês.
  • A Venezuela participa das audiências, mas não reconhece a jurisdição da CIJ e baseia sua posição em um acordo de 1966 com o Reino Unido; defende o rio Essequibo como demarcação natural, conforme 1777.
  • A tensão entre os dois países aumentou após a ExxonMobil descobrir petróleo na região em 2015, elevando a importância estratégica do território.
  • A Venezuela apresentará seus argumentos na quarta-feira; o caso envolve questões de referendos realizados em 2023 e decisões anteriores da ONU sobre mudanças no território.

A Corte Internacional de Justiça (CIJ) iniciou nesta segunda-feira, 4 de maio, uma semana de audiências sobre a disputa pela região de Essequibo entre Guiana e Venezuela. O objetivo é analisar o mérito da controvérsia, que se arrasta há mais de uma década e envolve o uso da área de cerca de 160 mil km², rica em petróleo. Caracas questiona a jurisdição da CIJ, mas participa das sessões.

Guiana defende a fronteira estabelecida em 1899, durante a era colonial britânica, e pediu à CIJ que ratifique esse traçado. Segundo o chanceler guianês, Hugh Hilton Todd, o caso é de importância existencial para o país, envolvendo aproximadamente 70% de seu território soberano. A tensão com a Venezuela tem raízes históricas e geopolíticas.

A Venezuela, que contesta a jurisdição da CIJ e baseia sua posição em um acordo de 1966 com o Reino Unido, defende a demarcação a partir do rio Essequibo, visto por Caracas como fronteira natural. As audiências seguem até 11 de maio, com a Venezuela programando seus argumentos para a quarta-feira, 6 de maio.

Contexto e impactos

A disputa ganhou dimensão econômica após a descoberta de grandes reservas de petróleo em 2015, elevando a importância estratégica do Essequibo para Guiana, um país com cerca de 800 mil habitantes. O tema também envolve tensões diplomáticas, incluindo referendos e intervenções da comunidade internacional.

A CIJ, sediada em Haia, confirmou sua jurisdição no caso iniciado pela Guiana em 2018, após fases preliminares em 2020. Em 2023, a Venezuela realizou um referendo sobre a criação de um novo estado que incluiria o território contestado, fato que intensificou o cenário de disputa.

Historicamente, a Guiana sustenta que a delimitação de 1899 permaneça válida e que mudanças somente podem ocorrer por meio de decisão judicial. A Venezuela, por sua vez, mantém que o acordo de 1966 repõe a base para eventual renegociação da fronteira. O desenrolar da audiência pode influenciar o equilíbrio regional.

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