Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Embaixador tech do Brasil alerta sobre riscos da corrida tecnológica

Diplomacia da inovação enfrenta recursos escassos, enquanto Brasil busca acordos globais para guiar tecnologia com ética e paz

Foto: Wilton Junior/Estadão
0:00
Carregando...
0:00
  • O Brasil tem o primeiro embaixador tecnológico, Eugenio Vargas Garcia, função criada há menos de um ano no Itamaraty, e ele participará do São Paulo Innovation Week.
  • Garcia afirma que tecnologia é tema político e que a corrida geopolítica por liderança tecnológica pode gerar riscos de conflito, defendendo balizas para o uso responsável.
  • O programa Diplomacia da Inovação, que completa dez anos em 2027, tem gasto anual de cerca de R$ 1,6 milhão e visa conectar pesquisadores brasileiros a ecossistemas internacionais.
  • A rede brasileira de Sectec atua nos maiores centros de inovação globais para promover cooperação, apoiar startups nacionais no exterior e atrair investimentos.
  • Há planos de expandir a presença brasileira na Ásia (China, trecho da Baía de Hong Kong, Shenzhen), América do Norte (Vale do Silício) e outras regiões, com meta de aumentar o investimento em P&D para 2% do PIB até 2034.

O diplomata Eugenio Vargas Garcia, recém-chefe da primeira missão brasileira dedicada a Tecnologia e Inovação, alerta que a corrida tecnológica entre potências pode gerar conflitos. Em entrevista ao Estadão, ele diz que o tema se tornou uma questão política e que o domínio de tecnologias poderosas pode ampliar inseguranças globais.

Garcia explica que a diplomacia da inovação mobiliza ativos diplomáticos para colocar ciência, tecnologia e inovação como prioridade da política externa brasileira. O objetivo é conectar pesquisadores, empresas e governos, criando parcerias que contribuam para negócios, pesquisas e acordos internacionais.

O Embaixador para Tecnologia e Inovação atua há quase um ano no Itamaraty, função criada em 2017 com o Programa de Diplomacia da Inovação. Ele participa do São Paulo Innovation Week e descreve a estratégia brasileira como necessária diante da disputa por infraestrutura digital, semicondutores e IA.

O que é a diplomacia da inovação?

A aposta é integrar ações de ciência, tecnologia e inovação à política externa, promovendo o Brasil no exterior. O programa busca aumentar a cooperação com parceiros internacionais, facilitando negócios, pesquisas e acordos. Em conjunto com empresas e universidades, busca reduzir a distância para os líderes globais.

O embaixador cita exemplos como acordos bilaterais com a Malásia, surgidos a partir de webinários sobre semicondutores, que evoluíram para visitas presidenciais e cooperação em tecnologia. O objetivo é fortalecer a participação brasileira em cadeias produtivas estratégicas.

Como surgiu o cargo e qual é o alcance

Criada em outubro do ano passado, a função de embaixador extraordinário para Tecnologia e Inovação está presente em cerca de 20 países. O Itamaraty mantém uma rede de mais de 220 postos com setores de Ciência, Tecnologia e Inovação (Sectec) em quase 70 deles, incluindo Ásia, América do Norte e Europa.

Garcia afirma que a tecnologia é tema político e geopolítico, envolvendo desde cabos submarinos até regulação de IA. A atuação busca reduzir dependência externa e ampliar a governança compartilhada de tecnologias emergentes.

Sobre orçamento e resultados

O programa de Diplomacia da Inovação recebe aproximadamente R$ 1,6 milhão por ano, dentro de uma rubrica de cerca de R$ 1,8 milhão no orçamento do Itamaraty. O orçamento é considerado enxuto para os objetivos, mas a atuação visa criar impactos com cooperação internacional e participação de startups brasileiras.

Entre os resultados, destaca-se a promoção de startups brasileiras em feiras e missões comerciais, com conectividade entre empreendedores, investidores e clientes. A ideia é gerar negócios de alto valor, otimizando recursos com ações bem direcionadas.

Onde o Brasil atua e qual o caminho de expansão

A rede brasileira está presente nos dez maiores centros de inovação mundiais e em polos na China, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido. Há presença no Vale do Silício, Boston e Nova York, entre outros, com foco em conectar ecossistemas de inovação e facilitar a internacionalização de startups.

Para ampliar a atuação, Garcia cita a China, com destaque para Chengdu, e a Baía de Hong Kong, Shenzhen e Cantão. O objetivo é manter contatos frequentes, receber delegações e abrir novos setores de cooperação, inclusive com cidades brasileiras.

Governança, ética e futuro

Após a revolução da IA, surgem questões de governança e ética. O Ministério busca apoiar acordos e protocolos que previnam impactos sociais adversos, como desemprego tecnológico, ao mesmo tempo em que incentivam avanços econômicos. A diplomacia de inovação pretende mitigar riscos e promover cooperação internacional estável.

O embaixador ressalta que recursos e planejamento de longo prazo são cruciais. Sem continuidade de políticas, mudanças de governo podem frear o avanço tecnológico. A aposta é por estratégias consistentes que fomentem inovação, atração de investimentos e desenvolvimento de infraestrutura digital sustentável.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais