- A justiça israelense prorrogou até o próximo domingo, 10 de maio, a prisão preventiva dos ativistas da Flotilha de Gaza detidos na costa da Grécia: Thiago Ávila, brasileiro, e Saif Abu Keshek, espanhol, em Ashkelon.
- A prorrogação anterior foi de dois dias; no total, a detenção ocorre em meio a investigações ligadas à tentativa de romper o bloqueio a Gaza, com 20 embarcações interceptadas.
- Keshek é suspeito de filiação a organização terrorista; Ávila é investigado por atividade ilegal e por suposto apoio a grupos como Hezbollah, Hamas e regime iraniano.
- O Brasil e a Espanha qualificaram a situação como sequestro de seus cidadãos e exigiram acesso consular e a libertação imediata; o governo de Israel afirma que agiu dentro da lei.
- A Adalah informa maus-tratos e interrogatórios prolongados a ambos; há relatos de isolamento, iluminação 24 horas por dia e ameaças, enquanto a Justiça israelense pode resultar de cinco a mais de vinte anos de prisão, caso condenados.
O tribunal israelense prorrogou até o próximo domingo, 10 de maio, a prisão preventiva dos ativistas da chamada Flotilha de Gaza detidos na costa da Grécia. Saif Abu Keshek, espanhol, e Thiago Ávila, brasileiro, seguem sob custódia em Ashkelon, no norte de Israel, após audiência nesta terça-feira (5). A prisão já havia sido estendida em dois dias no domingo anterior.
Os dois faziam parte de uma flotilha que buscava romper o bloqueio de Israel e do Egito à Faixa de Gaza. No total, 20 embarcações foram interceptadas; todos os ativamente estavam na Grécia, exceto Ávila e Keshek, que permaneceram sob custódia em Israel.
Keshek é alvo de suspeitas de filiação a uma organização terrorista, segundo o Ministério das Relações Exteriores de Israel; Ávila é acusado de atividade ilegal, com a acusação israelense apontando apoio a organizações como Hezbollah, Hamas e regimes iraniano. Em fevereiro de 2025, Ávila participou do funeral de Hassan Nasrallah.
Panorama jurídico e acusações
Segundo o MRE israelense, as acusações contra Ávila incluem cinco crimes de segurança enquadrados na lei antiterrorismo, como filiação a uma organização terrorista e assistência ao terrorismo durante período de guerra. O governo israelense afirma que a atuação não configura tortura, mas admite interrogatórios prolongados em alguns casos.
A Adalah, organização de direitos humanos que acompanha os ativistas, acusa maus-tratos e isolamento. Advogadas da entidade relatam interrogatórios de até oito horas e ameaças de morte ou de longos períodos na prisão. As condições nas celas incluem iluminação constante para induzir privação de sono.
Lubna Tuma, advogada da Adalah, defende a libertação imediata dos dois e o fim das medidas disponíveis. Ela pontua que as acusações visam enquadrá-los como indivíduos perigosos, segundo a argumentação apresentada pela acusação.
Reações internacionais e diplomáticas
O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou ter atuado dentro do direito internacional diante do grande número de embarcações e do objetivo de evitar rompimento de um bloqueio. Sobre tortura, o governo negou as acusações, destacando que as medidas são legais e proporcionais.
Os governos do Brasil e da Espanha classificaram a detenção como sequestro diplomático. As duas chancelerias pedem o retorno imediato dos cidadãos, com acesso consular e proteção adequada. A Espanha também questiona a ausência de provas de vínculos com o Hamas.
A flotilha, com cerca de 50 embarcações ao início, visava according a organizadores romper o bloqueio humanitário a Gaza. A ação desencadeou críticas internacionais e manifestações de apoio aos detidos, incluindo visitas a embaixadas e comitês de cidadãos.
Fonte: informações de veículos com cobertura da AFP, agências associadas e declarações oficiais.
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