- Pesquisa do instituto Yomiuri Shimbun indica que oitenta por cento dos japoneses não veem necessidade de mudar o primeiro parágrafo do Artigo nove da Constituição.
- A mesma pesquisa aponta que quarenta e sete por cento defendem rediscutir o segundo parágrafo, que trata da beligerância.
- A primeira-ministra Sanae Takaichi defende revisão de pontos da Constituição que restringem o papel das Forças de Autodefesa, especialmente o Artigo nove.
- O governo flexibilizou exportações de armas fabricadas no Japão, permitindo venda de equipamento letal em cinco categorias para dezessete países com acordos de defesa.
- O país planeja aumentar os gastos com defesa para dois por cento do Produto Interno Bruto e já participou de exercícios militares com Estados Unidos e Filipinas, ampliando cooperação no Indo-Pacífico.
No último domingo, 3 de maio, em Kyoto, protestos anti-guerra marcaram o Dia da Constituição, celebração que rememora a Carta de 1947, que instituiu pacifismo e democracia no Japão. A paisagem teve participação de idosos e alguns jovens, com cartazes como No war e No kill, e figuras públicas associadas a movimentos pacifistas.
A pesquisa divulgada pelo Yomiuri Shimbun mostra apoio de 80% dos japoneses à manutenção do primeiro parágrafo do artigo 9, que impede participação do país em guerras. Em contrapartida, 47% defendem rediscutir o segundo parágrafo, que detalha as restrições ao beligerantismo. O resultado aponta dividedores entre a população sobre mudanças constitucionais.
Mudanças na defesa e tensões regionais
A Primeira-Ministra Sanae Takaichi avançou, porém, na flexibilização de restrições históricas à exportação de armamentos fabricados no Japão. O governo passou a permitir vendas em cinco categorias para 17 países, incluindo EUA e Reino Unido, mesmo para funções potencialmente agressivas. Antes, limitações eram estritas.
Takaichi sustenta a estratégia diante de mudanças no cenário geopolítico e da deterioração da segurança regional, citando relações com China, Rússia e Coreia do Norte. O governo também propõe elevar os gastos militares a 2% do PIB e ampliar cooperação com Washington e aliados na região do Indo-Pacífico.
Reações internacionais e contexto estratégico
Pequim critica as evoluções, citando históricas tensões com o Japão e a disputa pelas ilhas Senkaku, desocupadas, porém disputadas pelos dois países. Além disso, houve preocupação com o aumento da atividade naval chinesa no entorno do mar japonês, em meio a exercícios conjuntos com os EUA e outros parceiros.
A discussão sobre o papel das Forças de Autodefesa — e o possível рестabelecimento de capacidades militares — permanece central no debate público japonês. A percepção pública sobre mudanças constitucionais e medidas de defesa mostra consistência entre a desconfiança de ampliação bélica e a pressão por maior integração regional.
Entre na conversa da comunidade