- Parisa Azadi, jornalista visual iraniano-canadense, criou uma série que transforma imagens de protestos em objetos físicos usando uma câmera instax.
- Ela começou a selecionar frames de vídeos de protesto circulando nas redes, fotografando as imagens diretamente do computador para imprimir, buscando interromper o fluxo digital.
- O trabalho serve como testemunho da violência estatal e do testemunho privado, surgindo da dor de não poder retornar ao Irã com segurança.
- Um registro mostra mulheres ao redor de um fogo em Teerã, cantando palavras de resistência diante da repressão, convertendo insultos misóginos em desafio público contra o Estado.
- Em janeiro de 2026, após massacre e execuções do estado, Azadi queimou as prints da instax como luto, não para apagar as imagens, mas para transmitir raiva, tristeza e recusa.
Parisa Azadi, jornalista visual iraniano-canadense, relata como, em setembro de 2022, a revolta contra o regime chegou ao Irã. Da cidade de Dubai, acompanhava vídeos que circulavam e sumiam em quedas de conexão. Ela viu mulheres queimarem véus e jovens serem feridos.
Sem poder retornar ao Irã, Azadi informou que a obra nasce da dor e busca testemunhar a violência estatal e a distância de quem testemunha. O projeto transforma imagens digitais em objetos físicos para interromper a fluidez das redes.
A técnica envolve capturas de frames de vídeos de protesto e fotos diretas a partir do computador, usando uma câmera instax. O objetivo é transformar pixels efêmeros em provas materiais.
Metodologia e significado
A artista já utilizava a instax no Irã, entregando retratos a estranhos como lembranças, em vez de apenas registrar. Durante o levante, esse gesto ganhou urgência, conectando memória, rebelião e censura.
A imagem central descreve um protesto em Teerã, com multidões ao redor de um fogo, expressando palavras de resistência contra a repressão. O corpo passa a ser o campo de batalha diante do terror estatal.
A foto mostra a silhueta de uma jovem com rabo de cavalo que se move entre fumaça e luzes. A textura áspera imprime urgência de testemunho, abrindo caminho para o que a artista chama de imagem pobre.
Desdobramentos recentes
A série faz parte de um conjunto de fragmentos de protesto. Em janeiro de 2026, após massacres e execuções estatais, Azadi passou a queimar as impressões instax como luto, marcadas pelas chamas.
O ato não busca apagar as imagens, mas imprimir dor, raiva e recusa. O fogo transforma a superfície, conectando passado, presente e resistência em curso.
Azadi descreve a foto como expressão de revolta e transformação. A prática de cuidado e testemunho permanece, agora com técnicas de baixo custo para responder a um movimento que busca liberdade corporal.
Sobre a artista
Azadi é jornalista visual e artista iraniano-canadense. Sua atuação une documentário, memória e política, em uma residência que atravessa culturas e fronteiras. O trabalho está disponível para leitura e apreciação pública.
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