- Tribunal israelense prorrogou em mais seis dias a detenção de Saif Abu Keshek (nacionalidade espanhola) e Thiago Ávila (nacionalidade brasileira), suspeitos de ligação com grupo terrorista e de atividades ilegais.
- Eles estavam entre cerca de 175 ativistas detidos quando a interceptação de 22 barcos da Global Sumud Flotilla ocorreu em águas internacionais próximas à Grécia; os demais foram liberados em Creta.
- Ambos estão em greve de fome há seis dias; advogada da Adalah afirmou que a detenção é ilegal e que as condições configuram tortura psicológica.
- Espanha e Brasil contestam a legalidade da detenção e exigem a libertação; Israel sustenta que a interceptação e a detenção estão em conformidade com o direito internacional.
- Organizações acusam Israel de pirataria; o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, criticou a detenção; Espanha reiterou que considera a detenção ilegal. A ONU também aponta preocupação com a situação humanitária em Gaza.
An Israeli court prorrogou por mais seis dias a detenção de dois ativistas pró-Palestina acusados de participação na flotilha com ajuda humanitária para Gaza, realizada na quinta-feira. Saif Abu Keshek, nacionalidade espanhola, e Thiago Ávila, brasileiro, foram ouvidos em Ashkelon, na presença de policiais, segundo o grupo de direitos Adalah.
Ao todo, cerca de 175 ativistas foram detidos quando as forças israelenses interceptaram 22 barcos em águas internacionais próximas à Grécia. Os demais participantes foram liberados depois, na ilha de Creta. Israel afirma que Abu Keshek tem ligação com um grupo terrorista e que Ávila atua ilegalmente.
Ambos os ativistas têm feito greve de fome há seis dias, segundo Adalah. A advogada Hadeel Abu Salih, que os representa, afirmou que a detenção é irregular e que os nacionais estrangeiros foram presos em mar aberto, a cerca de mil quilômetros de Gaza, transferidos para Israel contra a vontade.
Abu Salih descreveu as condições de detenção como inadequadas, com isolamento e uso de eye-shades durante deslocamentos e procedimentos médicos. Segundo ela, a política de detenção busca criminalizar a solidariedade com o povo palestino e a tentativa de romper o cerco a Gaza.
Reação internacional e resposta de Israel
O Ministério das Relações Exteriores de Israel reagiu, alegando que as alegações de tortura são falsas e infundadas, e que a interceptação da flotilha Global Sumud Flotilla e a detenção de dezenas de participantes obedeceram ao direito internacional. O governo sustenta que o episódio foi para impedir a violação de um bloqueio legítimo.
O governo espanhol informou que considera ilegal a detenção de Abu Keshek, enquanto o Brasil pediu a libertação imediata de Ávila. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, classificou a detenção como injustificada e expressou preocupação, afirmando que viola o direito internacional. Espanha também reiterou a ilegalidade da detenção.
Contexto e desdobramentos
A intervenção ocorreu após a descontinuação de uma flotilha semelhante no ano passado, que resultou na detenção de centenas de pessoas a bordo, inclusive Greta Thunberg, Sweden. Organizações que organizam as ações da flotilha negam as acusações contra Keshek e Ávila e acusam Israel de pirataria sob a lei internacional.
Organizações de ajuda humanitária ressaltam a necessidade de ampliar o fornecimento de assistência a Gaza, que permanece sob cerco após o cessar-fogo de seis meses entre Israel e Hamas. Autoridades internacionais pedem neutralidade na entrega de ajuda para a população de 2,1 milhões.
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