- Ucrânia busca reduzir componentes chineses na cadeia de drones, com Taiwan emergindo como fonte alternativa favorecida pela sua excelência tecnológica.
- Taiwan mira ampliar participação no fornecimento, apoiando-se em orçamento de defesa de 40 bilhões de dólares e investimentos em drones e IA.
- Exportações taiwanesas de drones para a Europa cresceram mais de quarenta vezes em 2025, com Polônia e República Tcheca entre os maiores mercados; no primeiro trimestre de 2026, já supera o total de 2025.
- A maioria dos drones taiwaneses exportados passa por intermediários para chegar à Ucrânia; a produção interna local ainda depende de componentes chineses.
- Embora haja avanços, a Ucrânia continua a depender de peças chinesas por custo e disponibilidade; Taiwan pretende reduzir essa dependência, mas enfrenta limitações de escala e preço em relação aos fornecedores chineses.
Taiwan emerge como ator silencioso na cadeia de suprimento de drones da Ucrânia, enquanto Kiev busca reduzir a dependência de componentes chineses. O esforço ocorre no contexto de quatro anos de conflito com a Rússia, em que drones viraram ferramenta central para monitoramento, ataques e evasão de defesas.
A Ucrânia vê Taiwan como fornecedora alternativa credível, apoiada pela reputação tecnológica da ilha, com foco em microeletrônica, sistemas de navegação e baterias. O Think Tank independente Snake Island Institute aponta que Taiwan é vista como parceira valiosa, diante de controles de exportação chineses e riscos de abastecimento.
Taiwan mantém ambições estratégicas para ampliar sua indústria de drones. O governo apoia um orçamento de defesa suplementar de US$ 40 bilhões, incluindo financiamento para drones e integração de inteligência artificial, conforme divulgado pela presidência. A meta é reduzir dependências externas e fortalecer a cadeia de suprimentos.
Exportações de drones taiwaneses para a Europa dispararam; a estimativa é de um aumento superior a 40 vezes em 2025, com polos como Polônia e República Tcheca entre os destinos mais expressivos. Dados do Instituto de Pesquisa DSET indicam que, no primeiro trimestre de 2026, as remessas já ultrapassaram o total de 2025.
Boa parte das peças enviadas a Europa é destinada a reexportação para a Ucrânia, segundo entrevistas conduzidas pelo DSET. Entre as empresas envolvidas, a Vyriy, fábrica de drones ucraniana, ressalta que componentes fabricados em Taiwan ajudam a reduzir a dependência de fornecedores chineses.
A busca por produção local avança, segundo Artur Savchii, analista do SII. Ao longo do conflito, a Ucrânia passou de importar drones acabados chineses para a montagem quase integral no país. No ano passado, o Ministério da Defesa da Ucrânia informou ter mais de 100 fabricantes de componentes no território.
Mesmo com esse avanço, a Ucrânia ainda depende de componentes chineses por preço e disponibilidade. Nicéias como baterias de lítio e ímãs de terras raras costumam incluir materiais provenientes da China, mesmo quando fabricados em outros locais.
Apesar das limitações, Taiwan não está livre da dependência de insumos. A China continua sendo a principal origem de importações de drones, mesmo que os números de comércio incluam modelos civis e comerciais. Taipei planeja uma indústria de drones “não vermelha” até 2027 e pretende produzir um terço dos ímãs de terras raras até 2030, ainda em desenvolvimento.
A capacidade de Taiwan de suprir a Ucrânia é limitada frente à demanda de milhões de drones por ano. A produção taiwanesa atual é de centenas de milhares, conforme a Administração de Alfândegas. Modelos chineses ainda oferecem vantagens de preço, o que dificulta substituição completa.
Questões geopolíticas também influenciam a cooperação. A Ucrânia não reconhece formalmente Taiwan e mantém relações cautelosas com a China, maior parceiro comercial. A maior parte do trabalho ocorre por meio de intermediários na Polônia, República Tcheca e Estados Unidos, com pouca coordenação governamental formal.
Empresas taiwanesas adotam estratégias ágeis, abrindo instalações na Lituânia e na Polônia para atender a Ucrânia. A atuação pública é complementada por memorandos de entendimento com cinco países europeus, fortalecendo o intercâmbio de tecnologia.
À medida que cresce a demanda por drones com recursos de IA, especialistas veem potencial para maior cooperação Taiwan-Ucrânia. O Ministério da Economia de Taiwan anunciou apoio a sete empresas de alta tecnologia, com cerca de NT$ 326 milhões, para desenvolver chips específicos para drones.
Para fabricantes ucranianos como a Vyriy, a decisão sobre onde obter componentes envolve considerar a segurança de suprimento e eficiência logística, balanceando capacidades nacionais com custos e disponibilidade de componentes.
Observa-se, assim, que a Ucrânia busca diversificar sua base de fornecimento para drones, enquanto Taiwan aproveita o momento para ampliar participação na cadeia global, com foco em tecnologia avançada, produção local e cooperação com parceiros europeus e norte-americanos.
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