- Roberto Perosa, presidente da Abiec, embarca para a China para discutir uma possível revisão de cotas de importação de carne bovina, ante o fechamento da janela de abates para o mercado chinês.
- A China criou um sistema de cotas em 2026: Brasil tem 1,1 milhão de toneladas com tarifa de 12%, e excedentes podem ter sobretaxas de até 67%. Em 2025, o Brasil exportou 1,7 milhão de toneladas para a China.
- As exportações brasileiras podem recuar cerca de 10% em 2026 ante 2025, passando de aproximadamente 3,5 milhões para cerca de 3 milhões de toneladas, se não houver mudança no cenário.
- Entre 15 de maio e 15 de junho haverá encerramento progressivo dos abates destinados ao mercado chinês; a carne enviado nesse intervalo pode chegar ao porto chinês em até fim de junho, e a retomada só é viável a partir de 15 de outubro para chegar em 2027.
- Com a demanda chinesa estável, não há substituto imediato com escala equivalente; Japão, Coreia do Sul e Turquia são potenciais mercados alternativos, mas enfrentam barreiras tarifárias e sanitárias.
Roberto Perosa, presidente da Abiec, viaja nesta quinta-feira (7) para a China, em viagem de cerca de 23 horas. A agenda inclui três cidades: Pequim, Xangai e Chongqing. O objetivo é conter a queda das exportações de carne bovina em 2026 e revisar cotas com autoridades e importadores chineses.
Entre 15 de maio e 15 de junho, frigoríficos brasileiros devem encerrar abatimentos destinados à China, conforme cotas tarifárias de 2026. Carne já em câmaras frias pode chegar ao porto chinês; o que for abatido após esse intervalo fica sem mercado. Não há substituto de volume equivalente.
Perosa afirma que as exportações podem recuar cerca de 10% em 2026, de 3,5 milhões para cerca de 3 milhões de toneladas, se as condições permanecerem. A China anunciou cotas com vigência a partir de 1º de janeiro, sendo 1,1 milhão de toneladas para o Brasil, com tarifa de 12%. Excedentes podem pagar 55% de sobretaxa, chegando a 67%.
A queda mensal das vendas à China já foi abrupta: de 200 mil toneladas em 2025 para 100 mil em 2026. A redução segue a partir de uma investigação de salvaguarda iniciada pela China em dezembro de 2024. O governo chinês introduziu o sistema de cotas no fim de 2025, com efeito já neste ano.
O Brasil exportou 1,7 milhão de toneladas à China em 2025. Se o ritmo atual persistir, a cota de 1,1 milhão de toneladas será esgotada no primeiro semestre. Restantes precisam encontrar compradores em outros mercados ou ficar não comercializáveis no curto prazo.
O retorno aos padrões de 2027 depende da abertura de uma nova janela em outubro de 2026. Enquanto isso, indústrias de São Paulo já ajustam abates: de 1.200 bovinos/dia para 1.000, três vezes por semana, conforme previsão de demanda e disponibilidade. O setor também aponta impactos do ciclo de confinamento, com maior participação de animais na engorda entre abril e setembro.
O preço do boi gordo também sinaliza cautela. Em abril, a arroba atingiu R$ 365,60, mas em maio o cenário se mantém menos volátil, com o preço em torno de R$ 230 por arroba. A Abiec pondera que, sem demanda estável, ajustes adicionais podem ocorrer.
__Além disso__ a China mantém consumo per capita elevado relativo à população de 1,4 bilhão, estimulado pela classe média em expansão. Dados da FAO e OCDE indicam crescimento do consumo até 2033. No entanto, tarifas e controles de importação afetam o equilíbrio entre oferta brasileira e demanda chinesa.
A depender das negociações, o Japão tem sido estudado como alternativa de mercado, com inspeções técnicas em frigoríficos brasileiros. A tarifa japonesa de 38% complica a compensação de preços, frente aos 5% nos EUA. Coreia do Sul adiou visitas técnicas, sinalizando atraso na abertura de mercado. A Turquia impõe exigências de testagem para BSE, ainda sem acordo.
O Brasil mantém posição de maior fornecedor de carne bovina para a China, respondendo por grande parte de suas importações em 2025, com receita de US$ 8,845 bilhões. A atualização de acordos sanitários e a harmonização de limites técnicos são pontos centrais das tratativas em curso.
Fontes da Abiec afirmam que a demanda chinesa continua robusta, mas a fiscalização sanitária tem aumentado. Adidos brasileiros em Pequim notificaram preocupações com resíduos veterinários, elevando o risco de suspensões. O acordo sanitário vigente foi assinado em 2014 e não foi revisado desde então.
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