- Lula embarca nesta quarta, às 13h, para Washington e tem encontro marcado com o presidente Donald Trump na quinta-feira, com foco em cooperação no combate ao crime organizado, Pix e terras raras.
- O governo brasileiro teme que a mudança dos Estados Unidos em classificar PCC e CV como organizações terroristas gere intervenções ou sanções, e busca persuadir Trump a manter o status atual.
- A reunião deve tratar da Seção 301 da Lei de Comércio, que mira o Pix e pode trazer medidas adversas para empresas brasileiras, segundo o governo brasileiro.
- Também está na agenda a negociação para permitir que empresas americanas explorem reservas brasileiras de terras raras e minerais críticos, mas com cautela por parte do Brasil.
- Esta é a primeira reunião entre Lula e Trump em Washington; Lula viaja com uma comitiva pequena e retorna ao Brasil na sexta-feira.
Na Casa Branca, Lula tem encontro com Trump marcado para esta quinta-feira, em Washington. O objetivo é discutir cooperação no combate ao crime organizado, debates sobre o Pix e uma possível exploração de terras raras. A viagem, anunciada apenas após confirmação pela Casa Branca, representa uma sinalização de diálogo entre os dois governos.
O Planalto mantém discrição sobre a agenda, temendo sinalizações de retrocesso por parte da gestão Trump. A confirmação ocorreu na noite de terça-feira, poucos dias antes do encontro. O tema principal é ampliar a cooperação bilateral no combate ao crime organizado, com foco no financiamento de facções.
Agenda e temas centrais
Ao longo do encontro, está prevista a discussão sobre a classificação das facções PCC e CV como organizações terroristas pela gestão norte-americana. O Brasil teme que essa mudança justifique intervenções no território nacional e, por isso, busca impedir medidas que afetem a soberania brasileira.
Outra linha de trabalho envolve a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que mira o Pix. O governo brasileiro defende que o Pix seja mantido como ferramenta de pagamento nacional, enquanto analisa possíveis ajustes para reduzir impactos competitivos. A interlocução visa evitar sanções econômicas.
Terras raras e minerais estratégicos
A negociação para permitir que empresas americanas explorem reservas brasileiras de terras raras e minerais críticos está entre as pautas. O governo americano já propôs uma ideia, mas o Brasil trata o tema com cautela, priorizando o interesse nacional e o planejamento de políticas tarifárias e não tarifárias.
Esse aspecto da pauta envolve também a participação de grandes empresas de tecnologia, dados e energia, com foco em projetos de data centers e cadeias de suprimento. O Brasil sinaliza abertura a conversas, desde que haja equilíbrio e respeito à soberania.
Contexto político e participação
Será a primeira reunião entre Lula e Trump em Washington e a segunda conversa presencial entre eles. O encontro foi inicialmente marcado para março e recebeu ajustes por razões internacionais, com manutenção de contatos entre as equipes diplomáticas.
Lula viaja com uma comitiva reduzida, acompanhando ministros da Fazenda, Dario Durigan, e da Justiça, Wellington César Lima e Silva, além do chanceler Mauro Vieira. A volta ao Brasil está prevista para sexta-feira.
Análise do momento
Entre as curiosidades políticas, Lula e Trump passam por quedas na popularidade, em cenário de eleições. Pesquisas brasileiras indicam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em outubro, quando ocorre a eleição presidencial. Isso embasa a leitura de que o encontro visa ampliar cooperação e manter dialogue institucional.
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